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Setor de vinhos se mobiliza contra tese de que consumo de álcool é nocivo

Setor vitivinícola se mobiliza contra demonização do álcool, defendendo consumo moderado e a reclassificação do vinho como produto agroalimentar

Por trás do movimento está uma tentativa do setor de dissociar o vinho do debate mais amplo sobre os malefícios do álcool (Foto: David Paul Morris/Bloomberg)
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  • Setor brasileiro do vinho reagiu à pressão global contra o álcool, defendendo consumo moderado e a ideia de que o vinho não deve ser visto apenas como bebida alcoólica.
  • Em São Paulo, acontece o Simpósio Internacional Vinho, Saúde e Estilo de Vida, com médicos e pesquisadores discutindo a relação entre vinho, saúde e bem‑estar.
  • A Organização Mundial da Saúde indicou, em 2023, que não há quantidade segura de álcool; o movimento do setor busca apresentar evidências para não demonizar o vinho.
  • A proposta de consumo moderado prevê 13 gramas de álcool por dia para mulheres e 26 gramas para homens, o que equivaleria a cerca de 100 ml e 200 ml de vinho diários, respectivamente, com teor alcoólico em torno de 13%.
  • O objetivo é classificar o vinho como produto agroalimentar, abrangendo cadeia produtiva, turismo e economia regional, e não apenas o consumo de álcool.

O setor brasileiro de vinhos está organizando uma reação ao discurso que tende a demonizar qualquer consumo de álcool. Em São Paulo, acontece o Simpósio Internacional Vinho, Saúde e Estilo de Vida, reunindo médicos e pesquisadores para debater a relação entre consumo moderado de vinho, saúde e bem-estar.

A pauta não é negar os malefícios do álcool, mas defender que o consumo moderado não deve ser tratado como extremo risco. Organizadoras destacam que o vinho possui características próprias, além do teor alcoólico, que justificariam uma visão diferenciada dentro do debate sobre bebidas alcoólicas.

A mudança de posicionamento da Organização Mundial da Saúde, em 2023, serviu como gatilho para o movimento. A OMS sinalizou que não há quantidade segura de álcool para a saúde, o que motivou respostas setoriais que buscam evidências para embasar consumo responsável.

Entre as vozes que compõem a frente, destaca-se a empresária Célia Pinotti Carbonari, sócia da Vinícola Villa Santa Maria. Ela afirma que o objetivo é a conscientização com base em dados científicos, sem defender o negacionismo, e que o projeto não apoia o consumo excessivo.

O debate visa dissociar o vinho do enquadramento genérico das bebidas alcoólicas. Os produtores defendem que o vinho deve ser visto como produto agroalimentar, com impacto econômico, cultural e social ligado à vitivinicultura.

Segundo a organização, o enquadramento como agroalimentar permitiria considerar toda a cadeia produtiva, turismo e desenvolvimento regional, indo além do produto final. A ideia é ampliar benefícios econômicos para regiões produtoras.

Além de Célia Carbonari, a médica e viticultora Laura Catena, associada à Catena Zapata, participa do movimento, defendendo consumo moderado dentro de um estilo de vida saudável e criticando a posição da OMS.

A discussão do simpósio também aborda metas de consumo moderado, com estimativas de até 13 gramas de álcool para mulheres e 26 gramas para homens por dia. Na prática, isso correspondem a cerca de 100 ml de vinho para mulheres e 200 ml para homens, em média.

Os organizadores pretendem discutir ainda efeitos metabólicos do vinho tinto, distinções entre tipos de bebidas e o papel do consumo moderado em dietas como a mediterrânea, associadas a benefícios cardiovasculares.

O evento surge em meio a cobranças públicas sobre saúde e hábitos de consumo, com o objetivo de trazer evidências para fundamentar uma posição que não desvalorize o vinho como produto, mas reconheça seus riscos quando extrapolado. A pauta é apresentada como tentativa de equilíbrio entre saúde pública e indústria.

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