- Haddad deixou a Fazenda para disputar o governo de São Paulo, sendo visto por opositores como executor fiel das ideias de Lula.
- A reforma tributária, que prometia simplificar impostos, manteve e aumentou a complexidade, com mais de 500 artigos e possibilidade de passivo de cerca de R$ 1,2 trilhão em vinte anos.
- A carga tributária atingiu recorde de 34,1% do PIB em 2024, com aumento de tributos e criação ou elevação de cerca de trinta impostos; ganhou o apelido de “Taxad”.
- As contas públicas ficaram no vermelho, a dívida passou de 71,7% para 78,6% do PIB entre 2022 e janeiro de 2026, e a inflação foi contida mais pelos juros altos do banco central do que por políticas de gasto responsável.
- A economia mostrou crescimento de 2,3% em 2025, com previsão de 1,8% para 2026; desemprego ficou em 5,4% em janeiro, enquanto inadimplência e incertezas no mercado cresceram.
Na minha avaliação, o texto a seguir apresenta uma leitura crítica sobre a atuação do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, destacando diferentes perspectivas sobre o legado fiscal e econômico durante o governo Lula. O conteúdo reúne dados públicos, avaliações de especialistas e resultados de pesquisas para compor a visão global do tema.
Haddad deixou o cargo na quinta-feira para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Sobre seu mandato, apoiadores o apresentam como executor de reformas relevantes no âmbito tributário e fiscal, ressaltando indicadores positivos da economia real durante o período.
Por outro lado, críticos apontam que a gestão ampliou a carga tributária e criou ou elevou tributos, num contexto de alta da dívida pública e de metas fiscais questionadas. A discussão envolve avaliações sobre reforma tributária, custos para empresas e impacto sobre o orçamento público.
Contexto de gestão e governança
Relatos de apoiadores afirmam que Haddad promoveu simplificações aparentes na teoria, com foco na reforma tributária sobre o consumo. Em seus defensores, ele é apresentado como responsável por avanços que, segundo eles, contribuíram para a contenção da inflação e para a melhoria de indicadores econômicos.
No entanto, analistas independentes afirmam que a reforma tributária manteve ou aumentou a complexidade do sistema, gerando dúvidas sobre o equilíbrio entre simplificação e arrecadação. Pesquisas de opinião indicam descontentamento com a condução econômica do governo, em especial entre o público não oficial.
Impactos fiscais e arrecadação
Dados oficiais indicam que, mesmo com recordes de arrecadação, as contas públicas fecharam no vermelho ao longo do período, sob alegações de ajustes para cobrir déficits. A dívida pública, por sua vez, cresceu de 71,7% do PIB em 2022 para 78,6% em janeiro de 2026.
A carga tributária medida pelo PIB chegou a 34,1% em 2024, com expectativa de alta em 2025. Críticos apontam que, além do IJF, houve incremento de mais de 30 tributos em pouco mais de três anos, segundo levantamentos setoriais.
Medidas e controvérsias
Entre as ações debatidas estão aumentos de alíquotas de importação, alterações no IOF, e propostas de monitoramento de transações via Pix. Tais medidas geraram resistência de diferentes setores, levando a recuos ou ajustes em prazos e conteúdos.
O desenho da política fiscal também incluiu mudanças no Carf, com alterações em votações que passaram a favorecer decisões em favor da União em casos de empate. Críticos veem nesse movimento uma ampliação de prerrogativas administrativas.
Perspectivas de mercado e desemprego
Relatórios do mercado indicam menor otimismo com o ritmo de crescimento, com projeção de 1,8% para 2026, ante a média de outros países da região. Em janeiro, o desemprego ficou em 5,4%, mas críticos alegam que a metodologia subestima a força de trabalho disponível, ao excluir pessoas sem procura ou com benefícios.
Dados de inadimplência apontam aumento expressivo no último biênio, com milhões de empresas em atraso e altas margens de endividamento familiar. Esses números alimentam debates sobre sustentabilidade de políticas públicas e incentivos à produção.
Considerações finais
O retrato apresentado reflete a multiplicidade de leituras sobre a gestão Haddad, sem emitir julgamentos. O legado na Fazenda é objeto de avaliação contínua por economistas, parlamentares e agentes do mercado, com impactos visíveis nos déficits, juros e confiança de investidores.
Entre na conversa da comunidade