Em Alta NotíciasFutebolBrasileconomiaEsportes

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Dinheiro ilícito venezuelano ao Irã derruba banco suíço

Intervenção do Tesouro dos Estados Unidos encerra o MBaer Merchant Bank, acusado de facilitar lavagem de dinheiro ligado ao Irã, Rússia e Venezuela

O MBaer conseguiu operar sem ser detectado enquanto, segundo autoridades dos EUA, era cúmplice de atividades de lavagem de dinheiro de seus clientes (Foto: Pascal Mora/Bloomberg)
0:00
Carregando...
0:00
  • O MBaer Merchant Bank, banco suíço de investimentos, foi fechado após intervenção direta do Tesouro dos EUA por suposta facilitação de lavagem de dinheiro envolvendo Irã, Venezuela e Rússia.
  • Autoridades dos Estados Unidos afirmam que o banco canalizou mais de US$ 100 milhões pelo sistema financeiro americano para agentes ilícitos, levando à decisão de liquidá-lo.
  • Em 2025, o MBaer tinha cerca de 700 clientes, 60 funcionários e ativos de clientes em torno de 4,9 bilhões de francos suíços.
  • A Finma abriu processos contra o MBaer em 2024; em 2026 houve acordo para autoliquidação e a liquidação entrou em vigor em 27 de fevereiro, após pressão externa dos EUA.
  • O caso evidencia falhas na supervisão suíça e críticas à velocidade de aplicação de sanções, com especialistas apontando fragilidades do sistema, especialmente após o Credit Suisse.

O MBaer Merchant Bank, banco suíço de investimentos, foi fechado após intervenção do Tesouro dos EUA, sob acusação de facilitar lavagem de dinheiro internacional ligada a Venezuela, Irã e Rússia. A decisão ocorreu em fevereiro, quando a Finma já enfrentava ações regulatórias contra a instituição.

O banco, fundado em 2018 por Paul-Michel von Merey e Mike Baer, operava com clientes de alto risco e chegou a cobrar taxas elevadas para processar pagamentos, segundo fontes, especialmente em transações recusadas por outros bancos. Sua atuação ganhou notoriedade pelos ganhos, celebrados em voz alta no escritório.

Em 2023, autoridades suíças e americanas iniciaram investigações. A Finma abriu processo e identificou que parte dos ativos dos clientes era de origem de alto risco. A FinCEN dos EUA acusou o MBaer de facilitar fluxo financeiro para o Irã e a Rússia, incluindo operações ligadas à Força Quds.

Conforme as investigações, o MBaer teria facilitado pagamentos em dolar para uma empresa sancionada, Turkoca Import Export Transit, usada como intermediária pela Força Quds para financiar o Irã. Documentos oficiais citam o envolvimento em um esquema de contrabando de petróleo e lavagem de dinheiro.

Entre 2020 e 2023, o banco teria atraído atenção por atividades de lavagem de dinheiro ligadas a Venezuela, corrupção de controles internos e evasão de monitoramento de grandes transações. Funcionários teriam sinalizado deficiências, gerando insegurança interna e dificultando denúncias.

A debilidade regulatória levou à ruptura com o banco correspondente nos EUA, inicialmente Credit Suisse, depois substituído pelo JPMorgan, segundo fontes. Em 2024, uma revisão interna apontou riscos sistêmicos, com sugestão de autoreportar à Finma, mas as medidas não foram efetivas.

No início de 2026, a intervenção do Tesouro americano acelerou o fechamento. A Finma confirmou a liquidação, após o MBaer retirar recurso judicial. Von Merey e Baer deixaram a gestão, mantendo perfil discreto.

Com o fechamento, cerca de 25 profissionais devem ser demitidos entre março e abril, e a carteira de clientes de alto risco fica sem opções rápidas de realocação na Suíça. O caso expõe fragilidades no sistema de combate a crimes financeiros do país.

A Finma comunicou formalmente a liquidação, e o MBaer negocia termos finais com a autoridade reguladora. A agência também abriu procedimentos contra quatro ex-funcionários não identificados. As ações seguem em tramitação nos tribunais suíços.

Especialistas ressaltam que a crise do MBaer impacta o esforço suíço de manter Zurique e Genebra como centros financeiros transparentes. As reformas regulatórias em tramitação buscam endurecer supervisão e prazos de deliberação, herdando lições do Credit Suisse.

Segundo analistas, a intervenção norte-americana destacou a cooperação internacional no combate a fluxos financeiros ilícitos. A avaliação aponta que, sem resposta efetiva da regulação suíça, bancos de nicho podem continuar sob risco de abusos até a conclusão de processos prolongados.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais