- Autoridades congelaram parte dos ativos do empresário Nelson Tanure, enquanto investigações apuram ligações com o Banco Master.
- O aperto de crédito pressionou venda de ativos e fez com que várias empresas dele caíssem no mercado.
- Representante de Tanure afirma que ele nunca foi sócio do Banco Master, apenas cliente da instituição.
- Transações envolvendo títulos e aquisições de empresas como Dia e Emae estão sob análise por possível conexão com o banco.
- A investigação envolve também o ex-CEO do Master, Daniel Vorcaro, já preso, em meio a alegações de rede de financiamento e operações interligadas.
O império empresarial de Nelson Tanure começou a se desmembrar à medida que investigadores aprofundam ligações com o Banco Master. Ativos do empresário foram congelados, o aperto de crédito forçou desinvestimentos e ações de empresas vinculadas ao grupo recuaram, em meio a um cenário de desinvestimento e incerteza.
As autoridades analisam uma série de transações que podem conectar Tanure ao Banco Master e ao ex-CEO Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília. Familiares e assessores do empresário afirmam que ele nunca foi sócio do banco, apenas cliente, mas a investigação aponta para um ecossistema de recursos interligados.
Tanure, de 74 anos, consolidou atuação em setores que vão de petróleo a telecomunicações, investindo em mais de 200 companhias em dificuldade. O jornalismo de fontes indica que o caso pode se tornar um marco em investigações de corrupção envolvendo o setor financeiro brasileiro.
Contexto financeiro e ligações com o Master
Entre 2021 e 2025, operações com títulos ganharam destaque, com recursos do Banco Master e de empresas do grupo sendo usados para aquisições. A rede de varejo Dia, adquirida em recuperação, utilizou caixa para adquirir títulos do Letsbank, banco do grupo Master.
A Emae, concessionária de energia, também comprou títulos do Master, em operação que representou quase 6% do seu ativo total em novembro de 2025.
A CVM apontou atuação coordenada entre Tanure, o Master e o CEO da Ambipar para elevar o preço de ações, embora todas as partes neguem irregularidades.
Operações e participação de ativos
Tanure utilizou fundos geridos pela Trustee DTVM para assumir o controle de Alliança Saúde, com leilões realizados pela corretora do Master. Em 2023, desembolsou quase 900 milhões de reais para comprar o restante da Alliança Saúde. A Allianz recebeu proteção judicial emergencial diante de credores em dezembro passado.
O representation de Tanure afirma que a oferta pública sempre fez parte do planejamento de aquisição e foi financiada com recursos disponíveis. Além disso, o empresário afirma ter adotado uma postura de risco para buscar oportunidades em ativos sob gestão.
Controvérsias e desdobramentos
Vorcaro, que teve vínculos com o Banco Master, foi preso pela segunda vez no começo de março. As investidas de Tanure incluem a aquisição da Dia, a participação na Emae e operações com a Ambipar. A Ambipar buscou recuperação judicial em outubro, citando dívidas significativas.
As autoridades indicam que o volume de transações sugere um ecossistema de financiamento entre Tanure e o Master, além de envolvimento de gestoras e corretoras aliadas ao grupo. Os advogados de Tanure sustentam que o empresário não é responsável pelas operações de bancos, corretoras ou gestoras de recursos de terceiros.
Situação atual das empresas e do crédito
Autuações indicam congelamento de parte do patrimônio de Tanure, com credores buscando recuperação de ativos. Parte das participações foi liquidada para atender obrigações de curto prazo, incluindo ações da Prio, ligadas ao portfólio, vendidas para quitar dívidas.
Segundo a defesa, a operação com a Ambipar não foi objeto de sanções, e Tanure continua a buscar novas oportunidades de investimento, mantendo o compromisso com o crescimento das empresas em que investiu.
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