Em Alta NotíciasFutebolBrasileconomiaEsportes

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

China fica de fora do conflito no Irã, mas exportações podem sofrer

Conflito no Irã eleva custos logísticos e fretes, reduz demanda global e ameaça exportações da China, especialmente para o Golfo, em Yiwu

Os custos de transporte tornaram-se proibitivamente altos. O frete de um contêiner padrão para o Golfo Pérsico subiu 35% em março, enquanto os prêmios de seguro dispararam 143% (Foto: Raul Ariano/ Bloomberg)
0:00
Carregando...
0:00
  • As exportações da China para o Oriente Médio cresceram nos últimos anos, ultrapassando US$ 120 bilhões em 2025, com crescimento de 23% nos dois primeiros meses de 2026 para Emirados Árabes e Arábia Saudita.
  • Com a guerra no Irã entrando na quarta semana, compradores da região sumiram, em meio a interrupções no tráfego aéreo e apagão de internet no Irã que dificultam o contato com fornecedores chineses, principalmente em Yiwu.
  • Mesmo que pedidos ainda cheguem via WeChat, fabricantes chineses, sobretudo de eletrônicos, enfrentam queda de demanda e margens menores; exemplo: aparelhos de ar condicionado podem recuar cerca de 12% neste mês.
  • Custos de transporte subiram bastante: frete de contêiner para o Golfo subiu 35% em março e prêmios de seguro dispararam 143%, com sobretaxas de guerra de até US$ 4 mil por contêiner.
  • O preço do alumínio subiu no início do conflito e depois caiu diante de temores de recessão global; a região do Golfo respondia por cerca de nove por cento da produção mundial em 2025.

A China ficou de fora da guerra no Irã, mas o conflito pode sufocar suas exportações. Em Yiwu, centro comercial de Zhejiang, varejistas e exportadores observam queda de demanda e aumento de custos que ameaçam a recuperação econômica do país.

Compradores do Golfo, antes afluentes na cidade, sumiram das fábricas e mercados. Mesmo com pedidos via WeChat, muitos fornecedores estão reconsiderando negócios com o Irã e com a região diante da instabilidade e do apagão de internet no país.

As exportações chinesas para os Emirados Árabes e para a Arábia Saudita cresceram nos primeiros dois meses, mas o cenário mudou com a quarta semana de conflito. Voos de retorno e incerteza elevam o risco para as operações.

impacto logístico e custo de insumos

Custos de transporte aumentaram, com o frete de contêiner para o Golfo subindo 35% em março. Seguros de guerra subiram 143%, e sobretaxas podem chegar a US$ 4 mil por contêiner, pressionando margens.

Fabricantes chineses, especialmente de eletrônicos, relatam risk de não fechar o caixa. A queda da demanda global se junta aos custos mais elevados, reduzindo pedidos e elevando a ociosidade.

O exemplo dos aparelhos de ar condicionado mostra o peso do choque: em 2024, o Oriente Médio absorveu cerca de 20% das exportações de China de ar condicionado, com mais de 17 milhões de unidades. Projeções indicam recuo de até 12% neste mês.

materiais e preço dos metais

A região do Golfo respondia por 9% da produção global de alumínio em 2025, mas o preço dos metais industriais caiu nos últimos dias diante do receio de recessão mundial. A elevação de custos das matérias-primas pode reduzir margens de grandes fabricantes chinesas.

Especialistas destacam que o aperto financeiro pode manter a China em alerta sobre a cadeia de suprimentos, desde cobre a alumínio, para evitar descompassos no ciclo produtivo.

panorama econômico e expectativas

O relatório aponta que a demanda global mais fraca pode apagar o único fator positivo da economia chinesa — as exportações. A estratégia para lidar com a crise energética passa a ocupar as atenções do governo, incluindo o uso de reservas estratégicas.

Analistas divergem sobre impactos de longo prazo: alguns veem benefícios se a demanda dos EUA e de outras regiões se estabilizar; outros destacam riscos de recessão global e desaceleração doméstica, com efeitos sobre o emprego e o consumo.

Este acompanhamento de Bloomberg Opinion apresenta um retrato inicial de como a guerra no Irã pode afetar a China e a continuidade de crescimento orientado por exportações. A análise reflete a visão da autora, sem representar posição oficial de instituições associadas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais