- As exportações da China para o Oriente Médio cresceram nos últimos anos, ultrapassando US$ 120 bilhões em 2025, com crescimento de 23% nos dois primeiros meses de 2026 para Emirados Árabes e Arábia Saudita.
- Com a guerra no Irã entrando na quarta semana, compradores da região sumiram, em meio a interrupções no tráfego aéreo e apagão de internet no Irã que dificultam o contato com fornecedores chineses, principalmente em Yiwu.
- Mesmo que pedidos ainda cheguem via WeChat, fabricantes chineses, sobretudo de eletrônicos, enfrentam queda de demanda e margens menores; exemplo: aparelhos de ar condicionado podem recuar cerca de 12% neste mês.
- Custos de transporte subiram bastante: frete de contêiner para o Golfo subiu 35% em março e prêmios de seguro dispararam 143%, com sobretaxas de guerra de até US$ 4 mil por contêiner.
- O preço do alumínio subiu no início do conflito e depois caiu diante de temores de recessão global; a região do Golfo respondia por cerca de nove por cento da produção mundial em 2025.
A China ficou de fora da guerra no Irã, mas o conflito pode sufocar suas exportações. Em Yiwu, centro comercial de Zhejiang, varejistas e exportadores observam queda de demanda e aumento de custos que ameaçam a recuperação econômica do país.
Compradores do Golfo, antes afluentes na cidade, sumiram das fábricas e mercados. Mesmo com pedidos via WeChat, muitos fornecedores estão reconsiderando negócios com o Irã e com a região diante da instabilidade e do apagão de internet no país.
As exportações chinesas para os Emirados Árabes e para a Arábia Saudita cresceram nos primeiros dois meses, mas o cenário mudou com a quarta semana de conflito. Voos de retorno e incerteza elevam o risco para as operações.
impacto logístico e custo de insumos
Custos de transporte aumentaram, com o frete de contêiner para o Golfo subindo 35% em março. Seguros de guerra subiram 143%, e sobretaxas podem chegar a US$ 4 mil por contêiner, pressionando margens.
Fabricantes chineses, especialmente de eletrônicos, relatam risk de não fechar o caixa. A queda da demanda global se junta aos custos mais elevados, reduzindo pedidos e elevando a ociosidade.
O exemplo dos aparelhos de ar condicionado mostra o peso do choque: em 2024, o Oriente Médio absorveu cerca de 20% das exportações de China de ar condicionado, com mais de 17 milhões de unidades. Projeções indicam recuo de até 12% neste mês.
materiais e preço dos metais
A região do Golfo respondia por 9% da produção global de alumínio em 2025, mas o preço dos metais industriais caiu nos últimos dias diante do receio de recessão mundial. A elevação de custos das matérias-primas pode reduzir margens de grandes fabricantes chinesas.
Especialistas destacam que o aperto financeiro pode manter a China em alerta sobre a cadeia de suprimentos, desde cobre a alumínio, para evitar descompassos no ciclo produtivo.
panorama econômico e expectativas
O relatório aponta que a demanda global mais fraca pode apagar o único fator positivo da economia chinesa — as exportações. A estratégia para lidar com a crise energética passa a ocupar as atenções do governo, incluindo o uso de reservas estratégicas.
Analistas divergem sobre impactos de longo prazo: alguns veem benefícios se a demanda dos EUA e de outras regiões se estabilizar; outros destacam riscos de recessão global e desaceleração doméstica, com efeitos sobre o emprego e o consumo.
Este acompanhamento de Bloomberg Opinion apresenta um retrato inicial de como a guerra no Irã pode afetar a China e a continuidade de crescimento orientado por exportações. A análise reflete a visão da autora, sem representar posição oficial de instituições associadas.
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