- Eswar Prasad, professor da Universidade de Cornell, apresenta em The Doom Loop um retrato de desordem econômica global autossustentável e de fragmentação da ordem internacional.
- O livro aponta que mudanças na política externa e econômica dos Estados Unidos são uma das causas, mas inúmeros fatores contribuíram para o quadro atual.
- Eventos recentes — choques de importação da China, crise financeira de 2007–2009, pandemia de Covid-19 e invasão da Ucrânia — evidenciaram os riscos de uma integração transfronteiriça excessiva.
- A relação entre Estados Unidos e China se tornou mais competitiva, com o comércio visto cada vez menos como contrapeso e mais como parte de disputas geopolíticas, elevando tensões globais.
- Prasad recomenda reconstruir instituições fragilizadas, promover uma competição com regras e buscar a recuperação da estabilidade, embora admita que o caminho seja desafiador.
O livro The Doom Loop, de Eswar Prasad, analisa como a ordem econômica global está em desordem autossustentável, com forças de estabilização falhando. Em resumo, a fragmentação mundial não é efeito isolado, mas ciclo vicioso.
Prasad aponta que a mudança abrupta na política externa dos EUA é catalisadora, mas não suficiente. O cenário envolve diversos fatores que, juntos, elevam o nível de incerteza econômica global.
O autor, professor da Universidade de Cornell, baseia-se em anos de pesquisa e experiência no FMI para sustentar seu diagnóstico. O tom é de alerta, porém acompanhado de propostas para sair do atual impasse.
Para o economista, a desordem decorre de uma inversão de mecanismos de ajuste. Em modelos tradicionais, oferta e preços se equilibram, mas agora as forças de estabilidade falham, ampliando a volatilidade.
Segundo Prasad, o círculo virtuoso da liberalização e cooperação não se sustenta, pois o comércio beneficia alguns e agrava desigualdades. O resultado é uma ascensão de tensões políticas e retração de investimentos.
A análise descreve uma trajetória de crise que começa com choques como a competição com a China, crises financeiras de 2008, pandemia de Covid-19 e a invasão da Ucrânia. Cada evento amplia a percepção de risco geopolítico.
O livro destaca a deterioração das relações entre EUA e China como fator decisivo. A fiscalização do comércio passa a ser vista como parte de uma disputa de poder, prejudicando a cooperação.
Prasad discute as consequências de manter o comércio como motor de crescimento sem considerar questões geopolíticas. A fusão entre economia e geopolítica aumenta a incerteza sobre a eficácia de acordos comerciais.
Alguns leitores discordam apenas em relação ao peso dado aos choques comerciais. Ainda assim, o livro alerta que a desorganização induzida pelo comércio tem impacto real na política interna.
Apesar das críticas, as recomendações são claras: reconstruir instituições fragilizadas, promover competição baseada em regras e preservar soma positiva. A ideia é evitar o colapso prolongado.
A conclusão ressalta que a solução é possível, desde que haja liderança firme e participação cidadã. O caminho, porém, é longo e cheio de obstáculos, conforme observou Prasad.
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