- Em cinco anos, mais de £170 milhões foram doados a MPs, partidos, veículos de mídia e think tanks alinhados ao ideário populista de direita no Reino Unido (jan 2020 a fev 2026).
- A maior parte do dinheiro — £133 milhões — foi para três organizações de mídia: GB News, The Critic e UnHerd.
- GB News recebe financiamento de Legatum e de Paul Marshall; The Critic é financiado por Jeremy Hosking; UnHerd por Paul Marshall.
- Além de doações diretas a MPs e a partidos, Reform recebeu cerca de £12 milhões de Harborne; outros ganhos incluem MPs de Reform remunerados por GB News (mais de £770 mil).
- O pesquisador afirma que fundos visam não apenas financiar partidos, mas criar um ecossistema midiático que amplifica vozes conservadoras, com maior atenção, cliques e retorno financeiro.
Um estudo divulgado pelo deputado trabalhista Liam Byrne aponta que mais de £170 milhões foram destinados, nos últimos cinco anos, a MPs, partidos, organizações de mídia e think tanks alinhados à direita populista do Reino Unido. A pesquisa cobre o período de janeiro de 2020 a fevereiro de 2026.
Segundo Byrne, a maior parte do dinheiro teve origem em um pequeno grupo de bilionários. O levantamento identifica uma “arquitetura financeira” que sustenta um ecossistema midiático ligado a figuras de direita e a políticos apresentados pela mídia.
A análise utilizou dados da Electoral Commission, do Register of Members’ Financial Interests, de registros da Companies House e de relatórios da sociedade civil. O total tem como destaque mais de £130 milhões vinculados a apenas quatro entidades.
Quem financia
Quase £133 milhões foram destinados principalmente a três veículos de mídia: GB News, The Critic e UnHerd. Byrne afirma que GB News favorece cobertura de Reform, enquanto The Critic e UnHerd divulgam vozes de direita e críticas ao “woke”.
GB News recebe aporte de Legatum e Paul Marshall; The Critic é financiado por Jeremy Hosking; UnHerd recebe investimento de Marshall. A maior parte dos recursos, portanto, não financia apenas partidos, mas um conjunto de veículos de mídia com alcance amplo.
Quem ganha e quem paga
O estudo aponta que 14% dos recursos identificados chegaram como doações diretas a MPs ou a partidos registrados. Além disso, as MPs de Reform teriam registrado pagamentos de GB News de mais de £770 mil por trabalho informado.
Nigel Farage, Richard Tice, Lee Anderson e Rupert Lowe declararam ganhos superiores a £100 mil com plataformas como X, Google e Meta. Byrne enfatiza que o financiamento atua em várias camadas, da mídia ao espaço político.
Contexto e propostas
Byrne sustenta que o financiamento de bilionários para mídia e think tanks cria um ecossistema que sustenta políticos populistas com atenção e alcance. O parlamentar defende reformas rápidas no marco eleitoral, entre elas proibição de doações em criptomoedas.
Entre as propostas, ele sugere ampliar a regulação de mídias digitais, limitar propriedade externa de plataformas significativas e tratar viés algorítmico como contribuição de campanha. Ofcom também poderia ter poderes ampliados em períodos eleitorais.
Reações e próximos passos
Legatum afirmou que investe em GB News de forma comercial, com independência editorial, e negou caracterizar o aporte como doação. A empresa destacou o papel do canal em preencher lacunas no público representation.
A defesa de Byrne é que essas dinâmicas exigem uma resposta regulatória mais firme e maior transparência sobre doações, para impedir que interesses particulares influenciem o debate público de forma desproporcional.
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