- O CEO Fernando Fernandez avalia reduzir ou desmembrar o negócio de alimentos da Unilever para priorizar áreas de maior crescimento, especialmente beleza e cuidados pessoais.
- A empresa já mantém diálogos iniciais com a McCormick sobre a venda de parte ou de todo o segmento de alimentos; ainda não há decisão tomada.
- Estima-se que a divisão de alimentos possa valer entre € 28 bilhões e € 31 bilhões; a decisão pode transformar a empresa em fabricante centrado em bens de casa e cuidados pessoais.
- Fernandez aponta a aposta em marcas de beleza como Dove, Dermalogica e Liquid IV para sustentar o crescimento, com a expectativa de gerar dois terços do volume de negócios a partir dessas categorias no médio prazo.
- O processo não deve ocorrer antes de 2027 e poderia liberar recursos para reforçar as marcas de bem-estar e para retorno aos acionistas.
O CEO da Unilever, Fernando Fernandez, analisa reduzir a participação do grupo no setor de alimentos para priorizar áreas de maior crescimento, como beleza e cuidados pessoais. A ideia é concentrar recursos em marcas como Dove e Dermalogica, com maior peso na receita a médio prazo.
Relatórios da Bloomberg indicam que a empresa estuda a separação total ou parcial de seu negócio de alimentos, ainda sem decisão tomada. Em 17 de abril, a publicação informou sobre o estudo; em 20 de abril, mencionou conversas iniciais com a McCormick sobre possível venda.
A avaliação envolve a possível cisão da divisão de alimentos, estimada entre € 28 bilhões e € 31 bilhões pelo Barclays. Caso seja efetiva, a Unilever deixaria de competir com Kraft Heinz, Nestlé e PepsiCo, tornando-se mais concentrada em bens de consumo doméstico e de cuidados pessoais.
Foco estratégico e impactos
A mudança poderia simplificar o portfólio, liberando recursos para investimento em marcas de beleza e bem-estar. Analistas apontam que isso ajudaria a ampliar o crescimento em produtos de higiene, pele e bem-estar, como Dove, Liquid IV e Dermalogica.
Fernandez já sinalizou que a beleza e o bem-estar são pilares para o crescimento futuro. A meta é gerar dois terços do volume de negócios a partir dessas categorias, frente a aproximadamente metade hoje.
Cenário de mercado e decisões passadas
O movimento ocorre após quase uma década de afastamento do setor de alimentos, que envolve a manutenção de Hellmann’s e Knorr, além de marcas locais. A venda de outras linhas, como geleias e chás, já foi concluída ou está em andamento.
Especialistas avaliam que o momento exige cautela. O analista Warren Ackerman, do Barclays, sustenta que não seria ideal abrir um novo processo de cisão agora, recomendando focar na recuperação de marcas como Hellmann’s e Knorr.
Perspectivas e condições
Fontes próximas ao grupo mencionam que qualquer acordo não deve ocorrer antes de 2027. O valor estimado da divisão de alimentos permanece sob análise, com potenciais impactos financeiros e de governança a serem avaliados pela diretoria e pelos acionistas.
A Unilever já vem reduzindo seu portfólio de alimentos ao longo dos anos, mantendo já apenas Hellmann’s, Knorr e alguns produtos locais, enquanto ampliava a atuação em cuidados pessoais e de higiene.
(Fonte: colaboração com Bloomberg; acompanhamento de movimentações em curso envolvendo consultores e possíveis interessados, sem confirmação de venda neste momento.)
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