- O conflito com o Irã, já no seu 20º dia, mostra aumento de gastos militares e elevações nos ganhos de acionistas de defesa.
- Quatorze bilionários e grandes investidores em empresas de defesa adicionaram mais de US$ 28 bilhões às suas fortunas em menos de três meses.
- O índice Bloomberg de empresas de defesa subiu 18% em 2026, enquanto o S&P 500 caiu 3,2%.
- Nos Estados Unidos, os gastos com hostilidades contra o Irã somaram US$ 11,3 bilhões nos primeiros seis dias, e o governo pediu US$ 200 bilhões adicionais.
- Fortunas do setor permanecem concentradas fora dos EUA, com grandes participações na Coreia do Sul, Índia, Israel e França, além do avanço de startups de drones.
O conflito entre Irã e potências globais, já no seu 21º dia, impulsiona gastos militares e beneficia bilionários do setor de defesa. Estima-se que mais de 28 bilhões de dólares tenham entrado no patrimônio de 14 investidores com grandes participações em empresas do setor, em menos de três meses.
A escalada de gasto vem acompanhada de valorização de ações de fabricantes de mísseis, drones e sistemas de guerra eletrônica. O índice Bloomberg de defesa global subiu 18% em 2026, enquanto o S&P 500 recuou 3,2%.
Gastos militares em alta e ganhos de acionistas se refletem também no fortalecimento de novos players menores, especialmente no setor de drones, e na participação de familiares de figuras públicas em negócios de defesa.
Estados Unidos
Karman Holdings
Valor da participação: US$ 590 milhões (somados)
Variação no acumulado do ano: US$ 164 milhões
Sede: Huntington Beach, Califórnia
A Karman fabrica foguetes e componentes, impulsionando ações desde o IPO, há pouco mais de um ano. Em janeiro, adquiriu a Seemann Composites forçando expansão naval. O maior investidor é fundo ligado à Trive Capital.
Kratos Defense
Valor da participação: US$ 174 milhões
Variação no acumulado do ano: US$ 32 milhões
Sede: Round Rock, Texas
A Kratos atua em espaço, propulsão, eletrônica e drones. Em fevereiro levantou quase US$ 1,2 bilhão para atender à demanda do Departamento de Guerra e clientes de Segurança Nacional. O CEO é Eric Demarco.
L3Harris Technologies
Valor da participação: US$ 121 milhões
Variação no acumulado do ano: US$ 38 milhões
Sede: Melbourne, Flórida
Resultado de fusão que formou a L3Harris em 2019, a empresa vende sistemas de comunicação, sensores e munições. Contratos do Defense representaram cerca de 75% da receita. O CEO é Chris Kubasik.
Northrop Grumman
Valor da participação: US$ 143 milhões
Variação no acumulado do ano: US$ 30 milhões
Sede: Falls Church, Virgínia
A empresa fabrica bombardeiros B-2 e desenvolve aeronaves modulares. O valor de ações subiu cerca de 190% sob a gestão de Kathy Warden, desde 2019, com foco em motores de foguete e munições.
Europa, Oriente Médio e África
Elbit Systems
Valor da participação: US$ 18,8 bilhões
Variação no acumulado do ano: US$ 7,6 bilhões
Sede: Tel Aviv
A Elbit fabrica drones, sensores e munições, com presença global. Em março recebeu contrato de US$ 120,5 milhões para desenvolver sistemas técnicos para soldados. A família Federmann controla parte relevante da empresa.
Aryt Industries
Valor da participação: US$ 691 milhões
Variação no acumulado do ano: US$ 118 milhões
Sede: Tel Aviv
A Aryt produz fusíveis eletrônicos para artilharia e veículos. As ações subiram mais de 6.000% desde o fim de 2022, ajudando a ampliar a receita para US$ 69 milhões nos 12 meses encerrados em 30 de junho.
CSG
Valor da participação: US$ 28 bilhões
Variação no acumulado do ano: US$ 14 bilhões
Sede: Praga
Fornecedor da Ucrânia, a CSG fabrica projéteis, veículos blindados e munições. Em 2024, a receita alcançou US$ 4,3 bilhões, com valorização significativa de suas ações desde 2021.
Dassault Aviation
Valor da participação: US$ 20,8 bilhões
Variação no acumulado do ano: US$ 4,1 bilhões
Sede: Paris
Fabricante de caças Rafale e Mirage 2000, a Dassault registrou pedidos de clientes no Oriente Médio e Europa. As ações avançaram 27% neste ano.
Ásia
LIG Nex1
Valor da participação: US$ 2,6 bilhões
Variação no acumulado do ano: US$ 949 milhões
Sede: Yongin, Coreia do Sul
Fabrica munições de precisão e sistemas de comunicação. Exporta M-SAM II para o Oriente Médio, em negócios avaliados em mais de US$ 8 bilhões. Participa do LIG Group.
Hanwha Aerospace
Valor da participação: US$ 1,7 bilhão
Variação no acumulado do ano: US$ 488 milhões
Sede: Seul
Conhecida pela artilharia K9, fornece mísseis, motores e componentes de navios. Exportações respondem pela maior parte da receita. O clã Kim detém participação relevante no grupo Hanwha.
Swan Defence e Heavy Industries
Valor da participação: US$ 908 milhões
Variação no acumulado do ano: US$ 276 milhões
Sede: Navi Mumbai, Índia
Mercantel familiar que expandiu para defesa após aquisição da Swan Mills. Em 2025, houve relistagem da Reliance Naval e a empresa cresceu com exportações para mercados internacionais.
Data Patterns
Valor da participação: US$ 832 milhões
Variação no acumulado do ano: US$ 148 milhões
Sede: Chennai, Índia
Fabricante de radares, aviônicos e satélites para uso militar. Clientes incluem a Organização de Pesquisa Espacial da Índia e a Marinha. Receita anual de cerca de US$ 77 milhões.
FMS Enterprises
Valor da participação: US$ 431 milhões
Variação no acumulado do ano: US$ 73 milhões
Sede: Petah Tikva, Israel
Produtora de blindagens balísticas para pessoas e veículos. Atua com unidades em Israel, na Carolina do Norte e na Índia.
Datav Patterns, Aryt, Dassault, Kratos e outras empresas citadas mostram que a expansão de defesa atinge várias regiões, com valorização de ações e maior participação de famílias e investidores institucionais no setor. O tirar de conclusão fica por conta dos mercados e analistas.
Entre na conversa da comunidade