- O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, mas a produção interna é praticamente nula, enquanto a China concentra a maior parte do refino e da cadeia de valor.
- Terras raras são 17 elementos essenciais para ímãs fortes, eletrônicos e tecnologias de transição energética; o neodímio e o praseodímio são destaques.
- A separação e purificação são complexas e caras, exigindo processos químicos avançados e gerando resíduos; a China domina a maior parte da cadeia produtiva.
- No Brasil, há atividades de mineração em Goiás ( Serra Verde) e projetos em Minas Gerais, Goiás, Bahia e Amazonas, com planos de ampliar a produção e atrair parcerias para purificação e manufatura.
- O país enfrenta o desafio de evitar exportar apenas matéria-prima; é necessário desenvolver uma cadeia nacional completa (mineração, purificação, metalurgia e fabricação de ímãs), com políticas públicas e investimento em pesquisa.
O Brasil figura entre os protagonistas da corrida global pelas terras raras, elementos-chave para smartphones, indústria militar e transição energética. Hoje, o país abriga a segunda maior reserva mundial, mas a produção nacional é muito baixa e depende de investimentos para avançar na cadeia de valor.
A China detém cerca de 48% das reservas e domina o refino. O Brasil responde por cerca de 20% das reservas globais, porém pouco produz. A diferença entre potencial e produção tem motivado debates sobre políticas públicas e investimentos privados no setor.
A notícia destacou que, apesar da abundância de reservas, a exploração brasileira envolve desafios técnicos, ambientais e industriais. A separação dos componentes, indispensável para obter óxidos e metais puros, é o gargalo mais difícil.
O que são terras raras
ETRs são 17 elementos químicos com propriedades especiais, principalmente magnetismo e resistência a altas temperaturas. Entre eles estão neodímio, praseodímio e praseódio, usados em ímãs permanentes, sensores e aplicações médicas.
A nomenclatura persiste como legado histórico: não são terras nem extremamente raras, mas misturas com baixa concentração. A extração envolve etapas complexas de purificação e separação.
A produção de ETRs é poluente e pode impactar solo, água e biodiversidade. A China concentra o refino em escala industrial, mantendo uma cadeia produtiva verticalizada.
A situação brasileira hoje
No Brasil, a Serra Verde opera em Goiás com argilas iônicas desde 2024. A expectativa é chegar a 6,6 mil toneladas/ano de óxidos até 2027, em comparação com a produção chinesa de 270 mil t/ano.
Outros projetos estão em Minas Gerais, Bahia e Amazonas, envolvendo companhias canadenses e australianas. A iniciativa mira ampliar a atuação brasileira na cadeia de valor.
O desafio é evitar que o país vire apenas exportador de matéria-prima. A ideia é evoluir para purificação, separação, metalurgia e manufatura avançada no Brasil.
O que se está fazendo no Brasil
O CIT Senai ITR, em Lagoa Santa, MG, pesquisa e fabrica ímãs de neodímio e coordena parte do MagBras. O objetivo é criar uma cadeia nacional de produção de superímãs e transferir tecnologia para parceiros.
O governo apoia acordos, inclusive com a Índia, para desenvolver a atuação brasileira nesse setor. Ainda assim, falta um plano de estado que consolide políticas públicas e investimentos de longo prazo.
Alguns projetos visam reciclagem de materiais contendo ETRs, ampliando caminhos para economia circular. Pesquisadores ressaltam a necessidade de Sustentabilidade, formação de recursos humanos e valorização da pesquisa.
Perspectivas e cautelas
Especialistas destacam o potencial de transformar o Brasil em fornecedor de componentes com maior valor agregado, não apenas de matéria-prima. O caminho envolve tecnologia de purificação, processos industriais e manufatura avançada.
A existência de uma base científica sólida não basta sem políticas estáveis e investimentos consistentes. Como afirmou um pesquisador, é preciso transformar conhecimento em produção nacional.
Porta-voz do setor indica que, com apoio adequado, o Brasil pode expandir a atuação em ETRs, fortalecendo ciência, indústria e empregos. A tendência global aponta para maior demanda por ímãs e componentes de alta tecnologia.
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