- Paraguay, com 6,1 milhões de habitantes, atrai investidores por impostos baixos e teve aumento de mais de 60% nos pedidos de residência em 2025.
- Investidores de Wall Street vêm comprando dívida paraguaia, enquanto o presidente Santiago Peña alinha o governo à política de Donald Trump.
- A economia do país, de US$ 47 bilhões, ganhou grau de investimento pela Moody’s em 2024 e pela S&P Global no ano anterior.
- O Paraguai mantém relações com Taiwan, não vende carne bovina e soja para a China e deixa de receber bilhões em investimentos chineses.
- O governo aprovou acordo de defesa com os EUA e busca abrir o país para negócios, apoiando reformas fiscais e monetárias para sustentar o crescimento.
Paraguai tem ganhado destaque internacional por atrair investidores e empreendedores da América Latina, impulsionados por impostos baixos. Em 2025, houve um crescimento superior a 60% nos pedidos de residência no país, segundo apuração de Bloomberg.
Atração de capitais veio acompanhada de sinais de crédito positivo. A Moody’s qualifica o Paraguay com grau de investimento desde 2024, seguido pela S&P Global no ano anterior. Wall Street tem comprado títulos da dívida paraguaia, refletindo confiança crescente.
O governo de Assunção, liderado pelo presidente conservador Santiago Peña, trabalha para ampliar o ambiente de negócios e promover uma agenda de reformas. Peña tem viajado ao exterior e participou de encontros com autoridades dos EUA para ampliar cooperação.
Ambiente econômico e geopolítica
A economia paraguaia gira em torno de US$ 47 bilhões e cresce com inflação de um dígito há duas décadas. Contudo, o país encara desafios, como alta informalidade (mais de 60% da força de trabalho) e pobreza acima de 20%.
Paraguai mantém posição única na região ao reconhecer Taiwan desde 1957, sem abrir mão de relações com outros blocos. Essa escolha influencia contatos comerciais, sobretudo com mercados que não integram a China de forma abrangente.
Peña descreve o país como em ascensão, comparando o momento a um renascimento de sua antiga pujança econômica. Em termos de infraestrutura, o ritmo de crescimento pede investimentos para acompanhar a demanda.
Comércio e defesa
Apesar do dinamismo, ainda não há voos diretos entre Assunção e os EUA. Parlamentares paraguaios aprovaram, na sequência da cúpula de Miami, um acordo de defesa que facilita a entrada de tropas norte-americanas no território paraguaio.
As medidas fiscais e monetárias, adotadas após a crise de 2003, contribuíram para queda da inflação e crescimento anual de cerca de 4%. Analistas apontam que o Paraguai pode manter vantagem competitiva no curto prazo.
O país recorre a emissões de dívida em guaranis, com emissões recentes de até US$ 1 bilhão, marcando evolução na credibilidade da economia. Especialistas veem esse movimento como parte de uma transição fiscal mais sólida.
Selene Rojas, diretora do Shopping del Sol, ilustra o amadurecimento local: de uma percepção desfavorável para uma posição no radar de investimentos. As mudanças refletem transformação urbana e financeira de Assunção.
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