- Jornalistas do WAV e da Republik investigaram Palantir, que abriu um hub europeu em Altendorf, Suíza, há cerca de três anos.
- A apuração aponta tentativas da empresa de vender seus serviços ao governo suíço ao longo de anos, incluindo encontros com o chanceler, o exército e o ministro das Finanças; até o momento, não foram reportados contratos oficiais.
- Palantir entrou com ação contra a Republik na Justiça comercial da Suíza, exigindo publicação de direito de resposta após a revista se recusar a publicar as réplica pedidas pela empresa.
- A companhia afirma que busca apenas uma réplica concisa para corrigir informações consideradas falsas sobre negócios, tecnologia e operações; os jornalistas dizem ter mantido padrões jornalísticos e checagem de fatos.
- A ação é encarada pelos críticos como tentativa de intimidação; a Federação Europeia de Jornalistas questiona aisso, argumentando que a demanda busca silenciar críticas sobre as atividades da Palantir.
Palantir, gigante americano de tecnologia, abriu ação contra a revista Republik, em um tribunal comercial suíço, visando obter direito de resposta. A ação vem após uma investigação publicada em dezembro que questionou a presença e a atuação da empresa na Suíça.
A reportagem, produzida pela WAV, um coletivo de jornalismo independente, questionou por que Palantir, sediada nos EUA, buscou espaço na Suíça e se houve uso de software pela administração pública do país. O material contou com várias solicitações de informação sob a lei de liberdade de imprensa.
O conflito teve início após a publicação da investigação, que detalhou anos de tentativas da empresa de estabelecer uma relação com o governo suíço. A matéria descreve contatos com o chanceler suíço durante a pandemia, abordagens à army e encontros com o então ministro das finanças.
Contexto e desdobramentos na Suíça
Os repórteres afirmam que Palantir se aproximou de diferentes agências ao longo de sete anos, buscando inserir seu software no aparato público. A reportagem aponta reuniões em Davos e contatos com autoridades, sem indicar contratos governamentais efetivados.
Palantir afirma que busca apenas um direito de resposta para corrigir informações incorretas. Em nota, a empresa sustenta que a matéria apresenta interpretações erradas sobre sua atuação, tecnologia e operações, e que o pedido de retratação não se limitou a pontos irrelevantes.
A empresa também publicou um posicionamento online destacando discordâncias com a reportagem, incluindo alegações de que o texto apresenta um retrato falso sobre a volatilidade de custos de tecnologia e sobre a confidencialidade de um relatório do exército suíço.
Reação da imprensa e aspectos legais
Representantes da WAV defendem que o jornal manteve padrões profissionais e que o direito de resposta está previsto pela lei suísa, mas com limites de concisão e fidelidade aos fatos. A imprensa sustenta que o caso pode sinalizar uma tentativa de intimidar ou desincentivar a cobertura crítica.
Organizações ligadas ao jornalismo europeu ressaltam que a ação pode configurar uma pressão para evitar análises críticas sobre as atividades da Palantir na Europa. Juristas informam que o direito de resposta não implica retratação de fatos verificáveis, apenas a apresentação da visão de Palantir junto ao relato da Republik.
O que se sabe sobre o histórico da empresa na região
Antes do processo, Palantir já atuava na Suíça há quase quatro anos, segundo reportagens, sem contratos governamentais amplamente divulgados. A matéria investigada descreveu tentativas de vender serviços de rastreamento de dados ao governo suíço durante a pandemia, bem como contatos com autoridades de alto escalão.
A controvérsia ocorre em meio a debates europeus sobre uso de dados e transparência de contratos com empresas de tecnologia. A Republik e a WAV continuam com a produção de reportagens sobre a atuação da Palantir no país, enquanto o tribunal analisa o direito de resposta requerido pela empresa.
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