- O FMI reduziu a previsão de crescimento da Espanha para este ano em duas décimas, de 2,3% para 2,1%, e prevê 1,7% para 2027.
- A instituição indica que o conflito no Oriente Médio pode puxar a inflação e diminuir o investimento, com choque principal vindo do aumento dos preços do petróleo e do gás natural.
- O FMI recomenda ampliar a oferta de moradias para enfrentar a crise habitacional e questiona o uso de controles de aluguel, sugerindo suspensão após três anos, se não houver comprovação de efeito positivo.
- O governo espanhol aprovou medidas de cerca de 5,0 bilhões de euros para mitigar a crise energética, incluindo redução de impostos e ayudas; o FMI alerta para não atenuar demais as señales de preços.
- A fragilidade parlamentar é apontada como desafio para aprovar reformas fiscais e da vivienda; o FMI defende reforçar políticas de oferta de moradia e reformar a Lei de Habitação para estimular projetos.
O FMI reduziu a projeção de crescimento da Espanha para este ano, de 2,3% para 2,1%, e para 2027, para 1,7%. A instituição aponta incertezas globais, sobretudo pela guerra no Oriente Médio e pela alta nos preços de energia. A economia espanhola, porém, encara o cenário com mais vigor que a de várias vizinhas europeias.
A organização aponta que o impacto inicial vem do aumento recente dos preços do petróleo e do gás, que pressionam inflação e custo de vida. O FMI estima que o choque energético reduz o crescimento e gera incerteza sobre investimento, consumo e políticas públicas. A guerra preocupa, mas não derruba a base econômica.
Independente do choque, o FMI destaca que a Espanha ainda tem fôlego para 2026, com ajustes na política fiscal. A instituição observa que fusões de estímulos externos, como fundos europeus, podem perder força, acelerando o desaquecimento gradual da atividade econômica.
Para mitigá-lo, o FMI recomenda ações coordenadas do governo espanhol, principalmente para ampliar a oferta de moradias. O documento cita a necessidade de reduzir entraves à construção, acelerar planos urbanísticos e liberar terreno para novos investimentos imobiliários.
Entre medidas políticas, o FMI sugere suspender temporariamente controles de aluguel apenas se avaliações rigorosas não mostrarem impacto na oferta. A instituição ressalta que, caso haja evidência de redução de oferta, tal controle poderia ser reavaliado ao final de um período.
O FMI também orienta evitar interferências excessivas na formação de preços de energia. Defende apoio fiscal discreto e focalizado apenas em situações de choque grave, desde que a dívida pública se mantenha estável. O objetivo é proteger famílias sem distorcer sinais de preço.
O relatório alerta sobre fragilidades internas. A fragmentação política e dificuldades para aprovar leis e orçamentos alimentam dúvidas sobre a capacidade do governo de implementar reformas fiscais e estruturais.
Sobre a habitação, o FMI aponta que o déficit de oferta é o principal gargalo. O organismo sustenta que medidas para ampliar a construção precisam andar mais rápido, com liberação de terreno, simplificação de permissões e reformas legais para reduzir insegurança jurídica.
O documento reforça que a reforma da Lei de Habitação deve permitir que comunidades autônomas adotem ações concretas para estimular a oferta de moradias. O objetivo é conter o déficit em áreas de alta demanda, evitando distorções e alta de preços.
Em termos de política fiscal, o FMI elogia o esforço recente de consolidação, porém avisa que manter o déficit sob controle requer atenções com o gasto público. O relatório prevê que, a partir de 2030, o peso de pensões e saúde tende a aumentar, exigindo planejamento de longo prazo.
Para ampliar o espaço fiscal, o FMI propõe alinhar os tipos de IVA, eliminando reduções para diversos produtos, combinado com transferências a famílias de baixa renda. Também recomenda reformas de pensões para enfrentar o crescimento futuro do gasto com aposentadorias.
Por fim, o FMI ressalta que a Espanha precisa manter um teto de credibilidade fiscal para enfrentar futuras perturbações globais. A instituição enfatiza que mudanças estruturais devem acompanhar o ciclo demográfico e o envelhecimento da população.
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