- A Financial Conduct Authority abriu uma investigação de responsabilização sobre a MFS, empresa de credores hipotecários que entrou em administração em fevereiro, em meio a um escândalo envolvendo £1,3 bilhão em hipotecas.
- Foi emitida uma ordem mundial de congelamento de ativos contra o fundador Paresh Raja, com credores obtendo medidas judiciais em Londres e Dubai para evitar a dissipação de bens.
- Documentos judiciais indicam que alguns tomadores de empréstimos que receberam hipotecas da MFS podem estar ligados a Raja, em possível esquema para desviar dinheiro.
- Existem alegações de que alguns empréstimos não tinham garantia ou que garantias foram dadas a diferentes instituições para o mesmo imóvel, em prática conhecida como “double pledging”, envolvendo bancos como Barclays, Jefferies e Santander, além de fundos de hedge e credores de crédito privado como Elliott Management, Castlelake e Atlas SP.
- O chief executive da Barclays afirmou que as perdas esperadas devem ficar abaixo de £500 milhões; Raja não comentou, e o advogado dele disse que houve erros, mas sem intenção de fraude.
O Financial Conduct Authority abriu uma investigação de vigilância sobre a credora hipotecária em dificuldades Mortgage Solutions Limited (MFS), que entrou em administração em fevereiro. A apuração ocorre após a Justiça no Reino Unido ter emitido uma ordem de congelamento de ativos de 1,3 bilhão de libras contra o fundador Paresh Raja, na quarta-feira, para impedir a dissipação de bens.
Relatórios indicam que a MFS recebeu cerca de 1,3 bilhão de libras de diversas instituições financeiras, que depois emprestaram esse dinheiro para a própria MFS, para conceder hipotecas a clientes. Credores apresentaram documentos judiciais com acusações envolvendo conexões entre alguns tomadores e Raja.
Há alegações de que alguns empréstimos poderiam não ter garantias adequadas, com a possibilidade de garantias terem sido concedidas simultaneamente a mais de uma instituição, prática conhecida como duplo penhor. Entre os credores aparecem bancos e fundos, incluindo Barclays, Jefferies, Santander, além de Elliott Management, Castlelake e Atlas SP, unidade de private credit da Apollo.
A Barclays informou que as perdas esperadas devem ficar abaixo de 500 milhões de libras, valor considerado relevante, embora ainda não finalizado. A empresa não divulgou mais detalhes sobre o montante exato das perdas.
Um porta-voz de Raja não comentou o caso. O advogado do empresário havia citado anteriormente que erros tinham ocorrido, mas sem intenção de fraude, e que Raja não seria beneficiário de eventuais déficits.
Envolvidos e montantes
Autoras e autores de documentos judiciais apontam conexões entre Raja e tomadores de hipotecas da MFS, sugerindo possível uso do esquema para extrair recursos. A investigação do FCA visa apurar condutas e responsabilidade de gestores e deles próprios.
Contexto regulatório
A ação do FCA ocorre em meio a medidas judiciais de bloqueio de ativos em Londres e em Dubai, que impediram a dilapidação de bens do empresário. A operação também envolve monitoramento de possíveis falhas em controles internos da instituição.
Desdobramentos futuros
Ainda não há prazo para conclusão da investigação. O FCA declarou que continuará acompanhando a situação da MFS e das empresas ligadas, com base em informações disponíveis e eventuais novas evidências.
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