- Bitcoin subiu 3,60% após ataques entre EUA/Israel ao Irã, sendo negociar a US$ 58 mil (R$ 302,7 mil).
- O anúncio de manutenção dos juros pelo Federal Reserve provocou queda de 5%, levando a cotação de US$ 73 mil para US$ 70 mil.
- Analistas destacam que, mesmo com a guerra, o bitcoin mostrou resiliência frente à demanda por liquidez e ao risco.
- Fluxo institucional via exchange-traded funds impulsionou o bitcoin, com cerca de US$ 1,53 bilhão no mercado entre 2 e 18 de março.
- O FED manteve juros em 3,50% a 3,75%, revisou a inflação para 2,7% em 2026 e sinalizou menor espaço para cortes, criando cenário de aversão ao risco e pressionando o bitcoin.
O Bitcoin mostrou resistência em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio, registrando alta de 3,60% após ataques entre EUA, Israel e Irã, e negociado próximo de US$ 58 mil. Em contraste, o anúncio de manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve provocou queda de cerca de 5%, levando a cotação a US$ 70 mil.
A moeda digital reagiu de forma distinta de outros ativos de risco, diante da ampliação do temor de impacto energético. Enquanto o Brent chegou a subir até 13%, o Bitcoin recuou pouco a partir de máximas diárias, sinalizando liquidez imediata como fator de curto prazo.
Para analistas, a narrativa de “ouro digital” ganhou força no começo do conflito, mas a liquidez global passou a ditar o humor do mercado com o Fed. Ana de Mattos, da Ripio, destacou que o BTC é visto como proteção patrimonial em cenários de desvalorização de moedas fiduciárias.
O fluxo institucional também contribuiu para o desempenho recente. Entre 2 e 18 de março, ETFs de Bitcoin aportaram cerca de US$ 1,53 bilhão, ajudando o preço a acumular alta de 4,61% no mês. O movimento reforçou a percepção de demanda institucional contínua.
Fed mantém juros e muda o humor do mercado
Na reunião de 18 de março, o Fed manteve a faixa de juros entre 3,50% e 3,75%. O banco sinalizou cautela, com projeção de inflação para 2026 subindo para 2,7% e apenas um possível corte para o ano. A postura hawkish ampliou a aversão ao risco entre investidores.
Paulo Camargo, CIO da Underblock, afirma que a autoridade monetária sinaliza liquidez global mais restrita por mais tempo, o que deve conter o apetite por ativos de risco. O recuo do Bitcoin após o anúncio evidenciou esse efeito de curto prazo.
O BTC caiu de US$ 74.672 para cerca de US$ 70.500 logo após a coletiva, reforçando o viés de “risk-off” entre traços de menor liquidez. Analistas observam que o impacto imediato tende a duas forças: custo de capital alto e vigilância macroeconômica.
Cenário de energia cara e inflação
O conflito ampliou riscos de produção energética ao atingir refinarias e infraestrutura. A inflação global tende a permanecer sob pressão, com impactos sobre cortes de juros futuros e dólar firme. O cenário eleva os rendimentos de Treasuries, influenciando a precificação de ativos digitais.
Mattos aponta que o novo ciclo de energia cara eleva os custos de financiamento e reduz o ritmo de alta do Bitcoin sem romper suportes. O movimento é sustentado pela demanda institucional, mas exige manutenção de patamar próximo a US$ 63.900 para sustentar o momentum.
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