- Fernando Haddad deixará o Ministério da Fazenda na quinta-feira, 19, para concorrer a um cargo eletivo, possivelmente o governo de São Paulo.
- O vice-presidente da pasta, Darío Durigan, assume; a ministra do Planejamento, Simone Tebet, também se prepara para deixar o cargo para disputar as eleições.
- Haddad foi responsável pela aprovação da reforma tributária, pela arrecadação recorde e por elevar impostos sobre ricos, bancos e empresas de apostas para financiar programas aos trabalhadores mais pobres.
- Embora tenha avançado na agenda fiscal, a dívida pública continua em alta e as regras orçamentárias criadas há três anos mostram sinais de deterioração, tornando a meta de superávit primário para 2026 possivelmente irrealista.
- Considerado herdeiro político de Lula, Haddad deve seguir influente na política brasileira, seja como ministro no próximo governo ou em nova candidatura presidencial.
Fernando Haddad deixará o Ministério da Fazenda na quinta-feira (19), antes do prazo de desincompatibilização, para concorrer a cargo eletivo. A expectativa é que ele anuncie a candidatura a governador de São Paulo no final da tarde.
A mudança desloca Haddad para o front de uma disputa com o governador Tarcísio de Freitas, favorito à reeleição em São Paulo. A eleição paulista é estratégica para as perspectivas de Lula em 2026.
Lula confirmou a substituição: o vice de Haddad, Dario Durigan, assumirá a Fazenda. A decisão integra uma reestruturação da equipe econômica, ocorrendo também com Simone Tebet adiando sua saída.
Haddad acumula méritos ao aprovar a reforma tributária e gerar arrecadação recorde ao aumentar impostos sobre ricos, bancos e empresas de apostas, usados para financiar programas de assistência aos mais pobres.
Entretanto, o ministro não conseguiu a restauração fiscal desejada pelos mercados. A dívida pública segue em alta e as regras orçamentárias criadas há três anos começam a se deteriorar.
O ministério mantém como meta um superávit primário modesto para 2026, porém analistas consideram a meta irrealista diante de despesas incluídas que podem ampliar o déficit.
Haddad tornou-se figura-chave do planejamento econômico de Lula desde 2023, após o retorno do presidente ao comando. Analistas destacam que ele consolidou apoio entre setores financeiros.
Embora visto como herdeiro político de Lula, Haddad pode atuar futuramente na política ou retornar ao governo, caso Lula vença novamente. A continuidade do bloco econômico depende da pré-candidatura de Haddad.
Especialistas lembram que o estilo de Haddad, de abrir diálogo com diferentes setores, ajudou na agenda de taxação sobre bancos, apostas e bilionários, núcleo da estratégia fiscal do governo.
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