- Conselho extraordinário da Indra será realizado às três da tarde desta quinta-feira; espera-se que a família Escribano renuncie à operação de integração com a Indra e a EM&E.
- A renúncia ocorre após a SEPI enviar comunicado pedindo que Ángel Escribano deixe o cargo para resolver o conflito de interesse na aquisição da EM&E.
- Ángel Escribano pretende permanecer como chief executive officer; o Estado detém 28% do capital da Indra, e a saída da fusão complica o respaldo dos conselheiros independentes para um possível cese.
- A notícia gerou volatilidade na bolsa, com queda superior a 10% desde os rumores; a CNMV pode exigir explicações sobre os movimentos.
- A aquisição de EM&E era considerada estratégica para tornar a Indra líder na defesa nacional e competir com grandes do setor, incluindo contratos com o Ministério da Defesa.
O conselho de administração da Indra foi convocado para reunião extraordinária às 15h desta quinta-feira. A pauta envolve a renúncia da família Escribano à operação de integração entre EM&E e Indra, encerrando um processo que dura mais de um ano. A decisão é aguardada após pressão da SEPI.
Segundo fontes com conhecimento do caso, os Escribano, controladores de EM&E e detentores de 14,3% de Indra, devem anunciar a retirada da operação na reunião extraordinária. A SEPI sinalizou que o conflito de interesse, envolvendo a compra da empresa familiar, precisa ser ajustado.
Angel Escribano, presidente da Indra, permanece como primeiro executivo, ao menos enquanto não houver novas deliberações. O Estado é o maior acionista indireto de Indra, com participação relevante no capital social. A SEPI encaminhou o pedido de afastamento para resolver o conflito.
A saída da fusão ocorre em meio a forte volatilidade na bolsa. Empresas ligadas aos Escribano registraram queda em ações, com impactos que já se refletem no preço de Indra e atraem a atenção da CNMV, que acompanha os movimentos do mercado.
Mercado e estratégia. A diretoria de Indra justificava a aquisição da EM&E como estratégica para a defesa nacional e para competir com grandes empresas do setor, como Leonardo, Thales e Rheinmetall. A operação era monitorada de perto por analistas desde o início.
Histórico de contratos. A parceria entre Indra e EM&E envolve contratos de artilleria com o Ministério da Defesa, avaliados em bilhões de euros, o que elevou o valor de Indra no Ibex-35 no ano passado. A decisão de romper a fusão pode alterar esse cenário.
Disputas legais envolvendo contratos diretos com o Exército espanhol também estão em andamento. A concorrente Santa Bárbara Sistemas contestou as adjudicações diretas, questionando o processo. SAPA, acionista de 7% de Indra, tem sido crítica à integração com EM&E.
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