- Um ano após as tarifas, estudos indicam que 96% do custo recai sobre empresas e consumidores dos EUA, não nos importadores estrangeiros.
- As tarifas geraram cerca de 175 bilhões de dólares em receitas adicionais ao governo em 2025, mas o custo ficou majoritariamente com famílias americanas, com média estimada de 1.577 dólares por domicílio por ano.
- O déficit comercial de bens dos EUA subiu 2,1% em 2025, para 1,23 trilhão de dólares; quando incluem serviços, o déficit total ficou praticamente estável, com variação insignificante de 0,2%.
- A indústria de manufatura dos EUA perdeu 108 mil empregos em 2025, e estima-se que a criação de empregos ligada a onshoring tenha ficado em cerca de 240 mil no ano, menor desde 2020.
- O país asiático manteve vantagem, com o déficit com a China caindo quase um terço, mas houve deslocamento de comércio para intermediários em outros países, aumentado o custo para consumidores e estimulando eventuais acordos comerciais com outras regiões.
A economia dos EUA enfrenta resultados desastrosos para as tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump, há quase um ano. Pesquisas de 2025 mostram que os objetivos de tornar estrangeiros responsáveis pelas operações comerciais, reduzir o déficit comercial e punir a China não foram alcançados.
Segundo estudos, os custos das tarifas recairam principalmente sobre famílias e empresas norte-americanas. Um estudo do Kiel Institute analisou mais de 25 milhões de remessas ao exterior, avaliando quase 4 trilhões de dólares, e aponta que 96% do custo foi absorvido por consumidores e empresas dos EUA.
Dados do Federal Reserve de Nova York e do National Bureau of Economic Research corroboram: exportadores estrangeiros arcariam com apenas alguns centavos de cada dólar de tarifa. Mesmo com a aversão de mercados, o impacto se restringe a custo para o consumidor americano, não reduzindo significativamente o déficit.
Estimativas oficiais apontam que as tarifas geraram aproximadamente 175 bilhões de dólares em receitas extras para o Tesouro em 2025, mas o efeito líquido é visto como custo para famílias, segundo o Yale Budget Lab. A projeção aponta aumento de cerca de 1.577 dólares por domicílio, em média, por ano.
O déficit de bens dos EUA saiu de uma meta de queda para registrar recorde de 1,23 trilhão de dólares em 2025, com importações depreciando margens de lucro das empresas. A indústria americana registrou queda de 108 mil empregos no ano, enquanto a criação associada a relocação de produção ficou em patamares baixos.
As tarifas também apresentaram efeitos sobre a confiança empresarial. Quase 88% das fabricantes relataram incerteza quanto ao caminho da política econômica, o que freou investimentos de longo prazo. Custos de insumos elevados em intermediários elevaram o preço de produtos.
Em relação à China, a expectativa de contenção do défice com o país não se confirmou. A balança de bens com a China recuou próximo de 202 bilhões de dólares, mas houve aumento do déficit com Índia, Malásia, México, Taiwan e Vietnã, indicando deslocamento de fluxos comerciais.
Um dos aspectos estratégicos do pacote tarifário foi o reforço à diversificação de fornecedores. Mesmo com redução de tarifas em alguns parceiros, a China intensifica acordos comerciais com outros países para manter o acesso ao mercado americano, ampliando operações de transbordo.
Análise aponta que a percepção de impacto também varia entre aliados. Países vizinhos adotaram medidas para facilitar importação de veículos elétricos chineses, enquanto a China negocia acordos com blocos econômicos para reduzir dependência de importações americanas.
A partir de 2026, autoridades sugerem que a administração deve considerar outras ferramentas de política comercial. A utilização de medidas como o “dollar weaponization” é discutida como alternativa com impactos colaterais significativos para os EUA.
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