- Polanski apresentou, no NEF, um posicionamento econômico verde que busca alternativas ao plano de Rachel Reeves, buscando atrair eleitores de esquerda insatisfeitos com o status quo.
- O Green leader propôs três pilares: frear o custo de vida com controle de aluguel e renacionalização da água; reformar impostos com imposto patrimonial como prioridade de governo; e reformular regras fiscais.
- O imposto patrimonial seria de 1% sobre ativos acima de £10 milhões e 2% acima de £1 bilhão, com a proposta de uma visão ampla de reforma tributária além desse tributo.
- Sobre regras fiscais, defendeu abandonar a Agência de Orçamento (Office for Budget Responsibility, OBR) em favor de “árbitros fiscais” que deem parecer sobre a sustentabilidade das políticas, em vez de regras rígidas.
- Polanski destacou a necessidade de reduzir a inflação e proteger famílias contra custos de energia por meio de uma taxação de lucros de empresas de energia e aumento de imposto sobre ganhos de capital, financiando medidas como isolamento doméstico.
Zack Polanski, líder do Partido Verde na Inglaterra e no País de Gales, apresentou nesta quarta-feira um conjunto de propostas econômicas em um evento em um centro de jardinagem no norte de Londres. A fala ocorreu em meio a críticas ao que ele chamou de custos para a população, e buscou apresentar o Green agenda como alternativa radical às ideias do governo de Rachel Reeves.
O discurso, promovido pela New Economics Foundation (NEF) para celebrar seu 40º aniversário, destacou uma avaliação de que a economia britânica, de acordo com Polanski, favorece quem já detém ativos. Ele afirmou que o país saiu de uma fase de industrialização para uma trajetória de austeridade prolongada, sob o governo conservador.
Polanski posicionou o Green programa em três pilares. Primeiro, combate a inflação e o que chamou de “rip-off Britain” com controle de aluguéis e a renacionalização do setor de água. Ele também enfatizou a proteção de rios e a preservação de ecossistemas, contrastando com críticas de autoridades a impactos ambientais.
Em segundo eixo, o líder verde defendeu uma reforma tributária ampla, incluindo uma taxação sobre fortunas acima de certos patamares. Não detalhou a inclusão de ativos específicos, mas disse que a taxação sobre riqueza seria uma prioridade de governo, acompanhada da equalização entre ganhos de capital e renda.
Terceiro ponto envolve uma revisão das regras fiscais, defendendo substituição de metas fixas por “auditoria fiscal” e removendo o papel do órgão de referência atual, o OBR, para adotar um modelo de fiscalização mais amplo de sustentabilidade orçamentária.
Durante o debate com perguntas, Polanski evitou prometer gastos não financiados. Indicou que soluções para o sistema de empréstimos estudantis devem sair de estudos de think tanks, como a NEF, sem apresentar números definitivos no momento.
Sobre energia, ele prometeu amortecer o impacto de aumentos sobre todas as famílias, inclusive as mais ricas, por meio de medidas como um imposto sobre lucros inesperados de companhias de energia e ajustes tributários de ganhos de capital, além de um programa de isolamento residencial.
A fala ocorreu em contraponto à abordagem de Reeves, que busca manter regras fiscais com maior margem de erro para evitar impactos negativos dos juros. Reeves planeja que o Office for Budget Responsibility avalie o orçamento apenas uma vez por ano.
A postura de Polanski sinaliza a estratégia verde de captar votos de setores de esquerda descontentes com o status quo, ao mesmo tempo em que evita choques excessivos com o eleitorado moderado. O tempo dirá se as propostas ganham tração entre o eleitorado que acompanha as disputas políticas.
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