Em Alta NotíciasFutebolBrasileconomiaPolítica

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Lucas Araripe transforma vento em bytes para Brasil potência digital

Casa dos Ventos avança com data center em Pecém, ligando energia renovável à demanda global por dados; até 1,5 GW de consumo e até 250 bilhões de reais de investimento

Claudio Belli
0:00
Carregando...
0:00
  • Casa dos Ventos, liderada por Lucas Araripe, propõe transformar energia em processamento de dados, colocando o Brasil como exportador de energia digital por meio de data centers.
  • No Complexo do Pecém, Ceará, já opera a primeira fase de um data center em parceria com Omnia e ByteDance, com consumo de cerca de 300 MW e potencial total de 1,5 GW; investimento da etapa inicial estimado em cerca de R$ 50 bilhões.
  • O projeto completo do Pecém pode chegar a R$ 250 bilhões, com quatro fases que somam até 1,5 GW de demanda energética; o Nordeste oferece energia renovável, conectividade e regime tributário diferenciado (Zona de Processamento de Exportação).
  • A Casa dos Ventos aprovou mais de 2 GW de capacidade em novos projetos, incluindo parques em Rio Brilhante, Seriemas, Paraíso, Dom Inocêncio e Ibiapaba, com investimentos de cerca de R$ 11,5 bilhões nos próximos dois anos, visando 11 GW até 2030.
  • A estratégia é criar demanda de energia antes de haver contratos, buscando mercados consumidores para sustentar o crescimento, além de explorar hidrogênio verde e outras frentes de consumo eletrointensivo no Pecém.

A Ambição de Lucas Araripe é transformar vento em bytes e colocar o Brasil no mapa de energia digital. Em entrevista à Forbes Brasil, o executivo apresenta a estratégia para reposicionar o país como exportador de energia limpa em forma de dados, moléculas e indústria. O foco é criar demanda que sustente esse novo modelo.

A Casa dos Ventos é apresentada por Araripe como uma engrenagem capaz de antecipar o futuro. Hoje ele atua como diretor-executivo e defende a ideia de exportar energia em processamento de dados. O endereço dessa visão fica no Complexo do Pecém, no Ceará, onde já foi viabilizada a primeira fase de um data center em parceria com Omnia e ByteDance, cliente âncora.

A primeira etapa envolve cerca de 300 MW de consumo energético dentro de um projeto que pode chegar a 1,5 gigawatt. Araripe aponta que esse estágio pode valer aproximadamente 50 bilhões de reais, e que o Pecém, como hub, pode alcançar cerca de 250 bilhões de reais em investimento.

Crescimento e demanda

Nos bastidores, a Casa dos Ventos passa por um ciclo intenso de investimentos. A empresa concluiu entregas relevantes em projetos eólicos e solares e aprovou uma nova leva de investimentos que totaliza mais de 2 gigawatts de capacidade, com previsão de entrada entre 2026 e 2027.

Entre os ativos mapeados estão complexos solares em Mato Grosso do Sul (Rio Brilhante, 491 MW; Seriemas, 400 MW; Paraíso, 640 MW) e parques eólicos no Piauí e Ceará. Os projetos somam cerca de 11,5 bilhões de reais em investimento nos próximos dois anos, segundo o executivo.

A Casa dos Ventos adota uma estratégia proativa: investir antes para criar demanda depois. Araripe explica que a empresa busca oportunidades de consumo intensivo de energia e atrai investidores para ancorar o crescimento, em vez de depender apenas de contratos já firmados.

Nova geografia dos dados

O Pecém recebe o foco dessa tese com a construção de um hub de data centers para processamento internacional de dados. O projeto é planejado para operar com energia renovável própria e com refrigeração de circuito fechado, com consumo máximo estimado em 30 m³ de água por dia.

A primeira fase representa cerca de 50 bilhões de reais de investimento, com a possibilidade de atingir 250 bilhões de reais ao longo de quatro fases. A capacidade total prevista é de 1,5 gigawatt de demanda energética. Araripe destaca a vantagem brasileira de conexão, diante de filas observadas em outros mercados, como os Estados Unidos.

O Nordeste é apontado como região estratégica por excedente de energia, potencial de conexão para grandes cargas e custo energético competitivo. Além disso, o regime de Zona de Processamento de Exportação reduz impostos para operações voltadas ao exterior, beneficiando o processamento de dados.

Potência exportadora ampla

Os data centers representam a face visível de uma estratégia ampla para desenvolver diferentes frentes de consumo eletrointensivo. O objetivo é trazer demanda elétrica suficiente para sustentar o crescimento da empresa.

Além dos data centers, o projeto no Pecém contempla o hidrogênio verde, com consumo estimado de 600 MW para produzir até 70 mil toneladas de hidrogênio e 500 mil toneladas de amônia por ano. O hidrogênio é visto como investimento de retorno mais longo, enquanto o data center é visto como operação mais rápida.

A visão de Araripe envolve transformar energia em vetor de desenvolvimento industrial e exportação, seja por meio de dados, seja pela produção de moléculas. A empresa trabalha ainda com eletrificação industrial, combustíveis verdes e mineração de criptomoedas para absorver excedentes de geração.

Energia como ativo geopolítico

A leitura do executivo envolve a conexão entre infraestrutura digital e disponibilidade energética. A disputa global por capacidade computacional é, na prática, uma corrida por energia. O Brasil é visto como privilegiado por possuir vento, sol e água, mas há críticas sobre regulação que podem elevar custos e distorcer o cenário doméstico.

Araripe aponta desalinhamentos entre as vantagens naturais do país e decisões regulatórias recentes, ressaltando que o Brasil tem potencial para ser competitivo em termos energéticos e regulatórios no contexto global.

Do semiárido ao digital

Apesar da ênfase no futuro digital, a base física da operação permanece no semiárido nordestino, com parques que podem gerar empregos e fortalecer economias locais. A transformação proposta liga a energia gerada no interior a servidores globais, conectando recursos naturais a demanda tecnológica.

Transformar vento em bytes é apresentado como uma tentativa de ligar a abundância energética brasileira à demanda global por inovação. Caso a estratégia se confirme, o país pode ampliar seu papel como exportador de energia processada em vez de apenas recursos naturais.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais