- Grupo Elfa, controlado pelo Patria Investimentos, foca em itens de alto valor agregado (distribuição hospitalar, cirurgia, estética e Descarpack) e prevê crescimento com qualidade até 2028, reduzindo ativos de baixa margem. Não há negociações para Surya Dental ou TLS.
- Em 2025, a receita líquida caiu para R$ 4,6 bilhões, frente a R$ 5,6 bilhões em 2024; o EBITDA ajustado foi de R$ 407 milhões, alta de 1,3%, e o prejuízo líquido ficou em R$ 587,3 milhões, impactado por um ajuste contábial de R$ 257 milhões.
- A margem EBITDA fechou o ano em 8,9% e a margem bruta no último trimestre atingiu 19,6%, com expectativas de crescimento relevante do EBITDA nos próximos três anos.
- A empresa encerrou outubro com dívida de R$ 1,41 bilhão; haverá amortização de 25% ao ano a partir de 2028 e há carência de anos no principal. O Pátria investiu R$ 160 milhões no primeiro trimestre para reduzir o endividamento.
- Aceleração por tecnologia: dois agentes de IA, Robô e CotAI, em parceria com a AWS, contribuíram para reduzir SG&A em cerca de 30% entre 2023 e 2025; a Finep aprovou 82 milhões de investimento em tecnologia, com os primeiros 30 milhões já desembolsados.
O Grupo Elfa, distribuidora de medicamentos controlada pelo Patria Investimentos, revê o portfólio para ampliar margens e reduzir alavancagem. A estratégia visa foco em itens de maior valor agregado, especialmente nas áreas de oncologia, estética e cirurgia.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO José Roberto Ferraz detalha a orientação de crescer com qualidade. O objetivo é avançar os números operacionais para chegar “tinindo em 2028”.
Ferraz afirma que a meta é ser a melhor empresa, não a maior. O EBITDA deve crescer principalmente pela produtividade, além do incremento de vendas, segundo o executivo.
O grupo, que acumula aquisições ao longo dos anos, compete com Viveo e Oncoprod. Em 2025, a empresa teve queda de 18,09% na receita líquida, para 4,6 bilhões de reais, ante 2024.
O EBITDA ajustado subiu 1,3%, para 407 milhões de reais. Já o prejuízo líquido ampliou-se para 587,3 milhões, impulsionado por um ajuste contábil de 257 milhões relacionado a ativos fiscais diferidos.
A administração aponta otimismo nos próximos itens. A margem EBITDA fechou 8,9% em 2025, com a margem bruta de 19,6% no último trimestre, indicando melhoria desde 2024.
Nos próximos três anos, a empresa espera crescimento relevante do EBITDA, mantendo faturamento em torno de 4 bilhões de reais. O lucro operacional tem ficado estável nos últimos três exercícios, próximo de 400 milhões.
O processo de reestruturação inclui reduzir receita bruta de segmentos de baixa margem. Em outubro, com reperfilamento da dívida, a Elfa encerrou o ano com 1,41 bilhão de reais de endividamento.
A empresa prevê carência de três a cinco anos no principal e pretende amortizar 25% ao ano a partir de 2028. Um aporte de 160 milhões de reais do Pátria deve acelerar a redução da dívida neste primeiro trimestre.
Novos passos e alinhamento de ativos
A Elfa desinveste de ativos que não dialogam com o foco em distribuição hospitalar de alto valor. Ferraz afirma que os ativos core incluem distribuição hospitalar, cirurgia, estética e a Descarpack.
Não há, segundo ele, negociações em andamento para Surya Dental e TLS, que aparecem como candidatas por modelo de negócio, mas não integram a estratégia atual.
O contrato com a Siemens marca o retorno ao setor oncológico, com distribuição de equipamentos e produtos da companhia alemã. Cerca de 50% das vendas de medicamentos da Elfa são destinadas a tratamentos oncológicos.
Na área de estética, a empresa busca ampliar participação, estimando crescimento de 20% para 30% com novos parceiros. Medicamentos GLP-1 também aparecem no radar, em linha com atuação junto a endocrinologistas.
Tecnologia e IA como gatilho de eficiência
A estratégia de crescimento não depende apenas de receitas, mas de produtividade. A Elfa consolidou operações para 22 empresas do grupo, com estoque e caixas integrados.
A empresa opera dois agentes de inteligência artificial, desenvolvidos com a AWS, que reduziram SG&A em 30% entre 2023 e 2025. A meta é reduzir mais 20% nos próximos anos.
O primeiro agente, conhecido como Robô, faz lances em leilões reversos de hospitais, com verificação de crédito e disponibilidade de estoque em tempo real.
O segundo, CotAI, lê cotações recebidas por canais digitais, transforma solicitações em pedidos com checagem de crédito e planejamento logístico.
Ferraz ressalta que, embora haja menos gente envolvida, os resultados aumentam com o maior volume de vendas. A Finep aprovou um aporte de 82 milhões de reais para tecnologia e inovação digital, com os primeiros 30 milhões já desembolsados.
Os 50 milhões restantes devem chegar ao longo do ano, reforçando o investimento em IA e automação.
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