- A Comissão de Conduta de Futuros de Commodities (CFTC) afirma ter autoridade para punir insider trading, mas sua atuação tem sido limitada em mercados de previsão como Kalshi e Polymarket.
- Kalshi informou ter aberto 200 investigações, bloqueado contas e transformado cerca de uma dúzia de apurações em casos ativos, prática que a empresa classifica como autoproteção.
- A CFTC, com cerca de 120 servidores dedicados à fiscalização em 2025, vem reduzindo o quadro de enforcemen t mesmo com expansão de atividades sob sua supervisão.
- Polymarket movimentou bilhões em apostas, incluindo contratos sobre guerra, operando principalmente fora do país, enquanto Kalshi adota regras mais restritas, inclusive contra mercados de terrorismo e guerra.
- Especialistas avaliam que, embora haja casos isolados de insider trading sob a norma vigente, o enforcement é mais fraco na área de mercados de previsão do que em ações e títulos, levantando debate sobre necessidade de novas regras.
A Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) admite falhas na fiscalização de insider trading, tema estratégico para mercados de previsão. Volumes suspeitos crescem, segundo análises abertas por plataformas como Kalshi e Polymarket, mesmo com ações de apuração da própria bolsa.
Kalshi informou ter aberto cerca de 200 investigações internas, congelado contas e transformado dezenas de casos em ações ativas. A plataforma aponta que o volume de atividades suspeitas é significativamente maior do que o divulgado publicamente.
Em resposta, a CFTC confirmou possuir autoridade para punir práticas ilegais, embora o desempenho anterior de fiscalização seja alvo de críticas. O órgão tem cerca de 120 funcionários de enforcement, número que ficou menor em anos recentes frente ao crescimento do portfólio regulatório.
A análise de especialistas aponta que a fiscalização de insider trading em mercados de previsão é mais recente e menos robusta do que em ações. Casos firmados de insider trading no setor são poucos, com registros na indústria desde a adoção de regras após a Dodd-Frank, em 2010.
Polymarket opera principalmente de forma offshore, mantendo uma postura mais permissiva conforme o público observa. A empresa não respondeu aos pedidos de comentário, e dados de movimentação apontam contratos geopolíticos com volumes relevantes, levantando dúvidas sobre eficiência regulatória.
Analistas ressaltam que, sem uma estrutura de fiscalização contundente, os mercados de previsão ganham reputação de ser ambientes de maior risco de manipulação. A diferença entre Kalshi, que tenta autolimitar-se, e Polymarket, que amplia ofertas, é marcada pela abordagem regulatória interna versus externa.
Especialistas discutem se é possível criar salvaguardas eficazes sem sufocar a inovação. Há propostas de ampliar restrições, incluindo a proibição de negociações com informações sensíveis de segurança nacional. Críticos defendem regras mais claras sem inviabilizar a função informacional dos mercados.
Eventos recentes, como casos de insiders envolvendo governos e entidades, acendem o debate sobre a necessidade de novas regras. Pesquisadores observam que mercados bem informados, sem insiders, podem melhorar a qualidade das informações, desde que haja vigilância adequada e transparência nas transações.
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