- O mercado de multifamily de luxo avança no Brasil, com aluguéis que podem chegar a até quase R$ 120 mil mensais na unidade mais valorizada da JFL.
- O Brasil tem cerca de 20 mil unidades no setor, com maior concentração no Sudeste e, principalmente, em São Paulo.
- Os valores variam por empreendimento: Vila 11 registra aluguéis até R$ 18 mil; Charlie trabalha com R$ 22 mil a R$ 23 mil; Parque Cidade Jardim (Brookfield) chega a cerca de R$ 40 mil; e a JFL oferece unidades de 431 metros quadrados próximas de R$ 120 mil.
- A principal motivação é a conveniência e a flexibilidade: moradores de alta renda buscam reduzir o engajamento financeiro com aquisição de imóvel, pagando apenas um boleto mensal onde estão incluídos aluguel, condomínio e serviços.
- Empresas envolvidas incluem Brookfield, Vila 11 e JFL, com investimentos estruturados por meio de fundos imobiliários e CRIs; o setor encara gargalos como escassez de terrenos e alto custo, mas vê potencial de crescimento.
Durante décadas, alugar era visto como fase transitória. Hoje, no topo do mercado imobiliário brasileiro, o modelo multifamily ganha espaço entre a alta renda, com contratos mais flexíveis e foco em locação de alto padrão.
Empresários, executivos e profissionais liberais com renda elevada passam a optar por moradias alugadas em vez de comprar. Os empreendimentos oferecem gestão profissional e cobrança única que reúne condomínio, IPTU e serviços.
O mercado de nicho ainda engatinha no Brasil, com cerca de 20 mil unidades, concentradas no Sudeste, especialmente em São Paulo. A comparação com mercados mais maduros, como Estados Unidos e México, é pertinente.
Mercado de nicho
Gustavo Favaron, CEO do Global Real Estate and Infrastructure Institute, afirma que o multifamily pode ganhar tração diante de juros altos, custos crescentes e renda pressionada. No topo da pirâmide, a modalidade já funciona como alternativa flexível.
Os valores e a matemática do luxo
Na Vila 11, bairros como Itaim e Higienópolis, chegam a aluguéis de 18 mil reais. Em unidades da Brookfield, no Parque Cidade Jardim, valores ficam em torno de 40 mil mensais. O ápice fica com a JFL, com 431 m² e aluguel próximo de 120 mil.
Lucas Messias Cardoso, diretor de operações da JFL, descreve o morador como alguém que não fica poucos dias, e sim busca uma casa ampla. Em contexto de juros elevados, muitos preferem manter capital investido.
Ricardo Laham, CEO da Vila 11, aponta que pessoas de renda alta sabem fazer contas e evitam imobilizar capital. André Lucarelli, da Brookfield, diz que o rendimento pode cobrir o aluguel sem necessidade de comprar.
Conveniência como fator determinante
Além da lógica financeira, luxo atual é associado à simplificação da rotina. Em multifamily, despesas como aluguel, condomínio, internet e serviços podem ser cobradas em uma única fatura mensal, trazendo tempo ao morador.
Entre os moradores, executivos de 35 a 55 anos e profissionais com alta mobilidade entre cidades ou países ganham destaque. Localização estratégica em polos corporativos é um atrativo relevante.
Negócios milionários
Os empreendimentos se concentram em Faria Lima, Vila Olímpia e Itaim Bibi, polos de São Paulo. A mobilidade e a possibilidade de morar onde trabalha são fatores decisivos. O aluguel facilita deslocamentos entre cidades ou países.
A Brookfield opera com 6.200 apartamentos sob gestão, com 2.800 em operação e 33 edifícios, 19 ativos. A meta é chegar a 4.000 unidades em oito cidades até o fim do ano.
A Vila 11 tem capital institucional do Evergreen, com operação iniciada em 200 milhões de dólares e hoje aproximadamente 2 bilhões. São 16 prédios e 2.100 unidades, com planos para 24 edifícios.
Gargalo e futuro
A expansão esbarra na escassez de terrenos e no alto custo em regiões valorizadas. Um terreno adquirido em 2019 por 20 mil reais por m² hoje pode valer 60 mil. O retrofit aparece como opção para acelerar projetos.
Apesar disso, o multifamily ainda representa pouco mais de 1% das locações em São Paulo. Roberta Carmona, da Vitacon, enxerga grande potencial, com demanda por moradia de qualidade sem necessidade de compra.
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