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Arauco evita classificação de lixo ao erguer maior fábrica de celulose no Brasil

Arauco planeja investimento recorde para concluir a fábrica Sucuriú no Brasil, visando manter grau de investimento frente preços baixos e alavancagem alta

O projeto Sucuriú, de US$ 4,6 bilhões, no estado de Mato Grosso do Sul, fez com que a Arauco quase dobrasse sua dívida líquida para 5,15 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) no ano passado
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  • A Celulosa Arauco y Constitucion planeja investir mais de US$ 3 bilhões neste ano e cerca de US$ 2 bilhões no próximo, majoritariamente na conclusão da planta Sucuriú, no Brasil.
  • O projeto Sucuriú, com custo total de US$ 4,6 bilhões, está quase pela metade concluído no estado de Mato Grosso do Sul.
  • A empresa visa elevar sua participação no mercado aberto de celulose de fibra curta para cerca de 10% após o aumento de produção previsto para 2028.
  • A Fitch mantém a classificação BBB, com revisão negativa, e a Arauco tem enfrentado pressão de dívida elevada e quedas de preços da celulose, que afetam o lucro.
  • A expectativa é de que a alavancagem permaneça alta durante a construção, mas medidas de contingência podem ser usadas para evitar que a empresa caia para o status de junk.

A Celulosa Arauco y Constitucion planeja investir mais de US$ 3 bilhões neste ano e cerca de US$ 2 bilhões no próximo, com a maior parte do montante destinada à conclusão da fábrica Sucuriú, no Brasil. A informação foi revelada pelo diretor financeiro Gianfranco Truffello à Bloomberg News.

A empresa, terceira maior produtora mundial de celulose, busca manter o rating de investimento frente ao cenário desafiador do setor. Truffello afirmou que o projeto segue dentro do cronograma e do orçamento, apesar da maior alavancagem esperada neste ano.

A aplicação envolve a construção da maior fábrica de celulose do mundo, em Mato Grosso do Sul, com custo estimado em US$ 4,6 bilhões. O objetivo é aumentar a participação da Arauco no mercado de celulose de fibra curta para cerca de 10%.

Desempenho financeiro e risco de crédito

A expansão elevou a dívida líquida da companhia para 5,15 vezes o EBITDA no ano passado. A Standard & Poor’s colocou a Arauco em observação negativa em novembro, sinalizando risco de rebaixamento caso os preços da celulose permaneçam fracos.

Analistas citados pela imprensa destacam que, se a alavancagem permanecer acima de cinco vezes por mais tempo, a classificação poderá ser afetada. A Fitch mantém a empresa em BBB, com perspectiva de revisão, após ter elevado o grau especulativo no passado.

Para evitar o grau mais baixo, a Arauco realizou venda de títulos híbridos em 2025, captando US$ 840 milhões. Parte dos recursos é registrada como patrimônio, ajudando a conter o endividamento e a pressão sobre o rating.

Perspectivas do mercado e do projeto

Os preços da celulose sofreram queda significativa desde 2024, agravando a pressão sobre lucros. Mesmo com previsão de recuperação modesta em 2026, a empresa aponta que a alavancagem pode subir neste ano por causa dos desembolsos no Brasil e do fluxo de caixa livre negativo durante a construção.

Caso os preços se elevem, o EBITDA tende a melhorar e a alavancagem diminuir. A Arauco mantém diálogo ativo com agências de rating para impedir que o setor florestal registre o primeiro downgrade significativo desde 2017.

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