- Conselho aprovou, por maioria, a assinatura da proposta não vinculante com a Porto Seguro, formalizando a negociação que pode trazer aporte bilionário; há due diligence prevista.
- Camille Loyo Faria deixou os cargos de vice-presidente executiva, diretora financeira e diretora de relações com investidores; Marcel Cecchi Vieira assumiu as três funções.
- A Porto Saúde, vertical do Grupo Porto, é uma das maiores pagadoras da Oncoclínicas e lidera o interesse da negociação.
- O anúncio envolvendo Porto e a troca de CFO gerou oposição do Goldman Sachs no voto das duas deliberações, acentuando a disputa interna no conselho.
- A Oncoclínicas tem dívida bruta de R$ 4,8 bilhões, com vencimentos de R$ 745 milhões ainda em 2026, além de recebíveis atrasados e avaliação de risco pela Fitch.
A Oncoclínicas (ONCO3) aprovou, em reunião do conselho, a assinatura de uma proposta não vinculante da Porto Seguro, abrindo caminho para uma possível captação de recursos significativos. A negociação formaliza tratativas iniciadas nos bastidores, com a Porto Saúde, grande pagadora da rede, à frente.
Na mesma sessão, o conselho aceitou a renúncia de Camille Loyo Faria, que ocupava as funções de vice-presidente executiva, diretora financeira e diretora de relações com investidores. O posto de CFO passa a ser ocupado por Marcel Cecchi Vieira, CEO da Latache, gestora que detém participação relevante na Oncoclínicas.
A proposta não vinculante foi aprovada com ressalvas, não obrigando as partes a fechar negócio. O próximo passo é a due diligence, etapa essencial para avaliar requisitos financeiros, operacionais e regulatórios antes de qualquer acordo definitivo.
A troca no comando financeiro ocorre em um momento de tensão entre grupos acionistas. A Latache, liderada por Renato Azevedo, controla cinco dos sete assentos do conselho, incluindo o novo CFO. Goldman Sachs votou contra as duas deliberações, aprofundando o atrito entre acionistas.
A estrutura acionária é marcada pela disputa entre Latache (14,62%), Centaurus Capital (18,32%), MAK Capital Fund (6,31%) e outras participações relevantes. A Centaurus assumiu posição após o desinvestimento do Goldman Sachs, em 2025, e figura entre os principais acionistas.
O ambiente financeiro da Oncoclínicas continua tenso. A dívida bruta atual soma cerca de R$ 4,8 bilhões, com vencimentos de aproximadamente R$ 745 milhões em 2026. A Fitch também rebaixou o rating da empresa para risco de inadimplência iminente.
Além disso, a empresa recorreu à antecipação de recebíveis com a Sicoob Credicom para reforçar o caixa, buscando até R$ 70 milhões com garantia de empréstimo a CDI mais 0,6% ao mês. A linha já utilizou cerca de R$ 23 milhões até 10 de março.
No âmbito regulatório, a Oncoclínicas convocou credores de cinco debêntures para votar um waiver, visando não ser considerada inadimplente caso haja descumprimento de limites contratuais. A decisão ocorre nos próximos dias, antes da divulgação do resultado de 2025.
O histórico recente envolve disputas judiciais sobre OPA e controle acionário, com ações envolvendo a Centaurus e o Goldman Sachs. A situação continua sob análise, sem definição de desfecho até o momento.
A Porto Seguro permanece como parte interessada central, dada a relevância da Porto Saúde para a networks de atendimento da Oncoclínicas. As tratativas não vinculantes indicam apenas a possibilidade de aporte, sujeita a due diligence e aprovação final dos acionistas.
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