- Na quarta-feira, 18 de março, Copom e Fomc divulgam decisões; o conflito no Oriente Médio elevou o petróleo acima de US$ 100, criando incerteza sobre inflação e cortes de juros no Brasil e nos EUA.
- No Brasil, a expectativa de corte da Selic recuou: probabilidade de 0,50 ponto percentual caiu, e a de 0,25 ponto percentual subiu para cerca de 53%, com chance de manutenção em torno de 25%.
- Nos Estados Unidos, o FED deve manter a faixa de 3,50% a 3,75%; o Goldman Sachs revisou datas de cortes para setembro e dezembro de 2026.
- Dados recentes mostram economia americana mais fraca: PIB do 4º trimestre de 2025 em 0,7% anualizado; inflação medida pelo índice PCE chegou a 3,1% nos 12 meses, em janeiro.
- O choque do petróleo é visto como efeito de curto prazo; a incerteza global aumenta a cautela de bancos centrais ao redor do mundo, tornando as decisões do Copom e do Fomc dependentes de novas informações.
A Super Quarta de 18 de março coloca em foco a incerteza nas apostas do Copom e do Fomc diante da alta recente do petróleo. O ouro do mercado internacional está sob pressão, com Brent acima de 100 dólares o barril, após o ataque dos EUA ao Irã e o novo estreito de Ormuz sob controle iraniano. Essa dinâmica pode ampliar a inflação e inflacionar cenários de política monetária.
No Brasil, esperava-se o início do ciclo de cortes da Selic, com queda de 0,50 ponto, para 14,50% ao ano. Nos EUA, a ideia era manter o FED Funds entre 3,50% e 3,75%, com sinal de cortes em junho. A abrupta mudança de cenário ocorreu quando o petróleo disparou, elevando o risco de pressões inflacionárias.
Mudança nas expectativas
Dados do mercado indicam mudança relevante. Em 13 de março, a probabilidade de manutenção dos juros americanos na reunião de junho subiu, impactando apostas de cortes para o segundo semestre. A margem para cortes de 0,25 ponto caiu, e surgiu a possibilidade de não haver corte na próxima reunião, dependendo do cenário.
Na mesma linha, contratos da B3 mostraram mudança relevante para o Copom. Verificou-se aumento na chance de manutenção da Selic versus a aposta inicial de cortes mais amplos, indicando cautela do BC diante de fatores externos que pesam sobre a inflação e sobre a convergência para a meta.
Conjuntura internacional
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, aponta que o Copom tem espaço para reduzir 0,50 ponto, mas ressalta a pressão externa. A visão é de que o endurecimento monetário recente deixou margem para flexibilização sem comprometer a inflação. O ritmo da economia brasileira aponta para um hiato do produto próximo de zero ao fim de 2025.
A inflação segue alta nos EUA, ainda acima da meta, enquanto o petróleo mantém pressões de curto prazo. Mesmo com sinais de desaceleração, a desinflação é desigual entre os componentes do índice de preços. A curva de petróleo aponta para um patamar de conforto para o cenário brasileiro, segundo analistas.
FED e cenário global
Segundo analistas do Goldman Sachs, o FED pode manter a taxa estável, com dois cortes esperados para 2026, porém com datas reavaliadas para setembro e dezembro. No front doméstico, Nilton David, diretor do BC, reforça a ideia de iniciar a calibragem da Selic em março, mantendo a possibilidade de cortes mais moderados.
Resultados econômicos
Nos EUA, o PIB do quarto trimestre de 2025 foi revisado para baixo, a 0,7% anualizado, comparado a 1,4% inicialmente. O fraco desempenho decorreu de quedas em exportações e gastos do consumidor, além de efeitos do shutdown. O PCE, índice de inflação monitorado pelo FED, avançou 0,36% em janeiro, com 12 meses a 3,1%.
Incertezas gerais
O conflito no Oriente Médio adiciona volatilidade aos mercados, complicando a leitura de política monetária. Enquanto o Copom pondera a necessidade de começar o ajuste, o FED observa a trajetória da inflação americana com tolerância menor diante do contexto externo. As decisões de março prometem redefinir expectativas para juros, câmbio e preço de ativos.
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