- As doações no Reino Unido caíram de £ 15,4 bilhões em 2024 para £ 14 bilhões em 2025, apontando queda na soma total de recursos para ONGs.
- O número de doadores caiu de 61% da população em 2015 para 50% em 2025, com a média de valor por presente indo de £ 72 para £ 65.
- A principal razão alegada para não doar foi a dificuldade de pagar as contas, com 49% dos não doadores citando não poder arcar com as doações.
- Doações a organizações de ajuda internacional recuaram, de 20% em 2016 para 11% em 2025, contribuindo para uma queda de cerca de £ 250 milhões.
- Os bancos de alimentos passaram a responder por uma fatia maior das doações públicas, recebendo £ 610 milhões em 2025, enquanto fundos para cultura, educação e moradia reduziram-se.
O Giving to charity na Grã-Bretanha caiu mais de £1,4 bilhão no último ano, aponta um estudo da Charities Aid Foundation (Caf). A pesquisa indica que despesas com doações diminuíram em meio ao aumento do custo de vida, com milhões de pessoas alegando não poder ou não querer contribuir.
Segundo o relatório anual, apenas metade da população fez doação em 2025, ante 61% há uma década. A Caf afirma que a caridade deixa de ser uma norma cultural enraizada, diante de pressões econômicas crescentes e de uma sociedade mais cética.
Mark Greer, diretor-gerente da Caf, afirma que organizações de caridade não podem mais depender apenas da generosidade habitual do público. A conclusão aparece após meses de impactos nos maiores grupos beneficentes do país.
Ampliação dos impactos
Os efeitos são sentidos no terceiro setor, com cortes significativos em orçamentos e quadro de funcionários de entidades como Macmillan Cancer Support, Samaritans e Oxfam. A queda de doações ocorreu mesmo em um momento de demanda elevada por serviços assistenciais.
Os números mostram queda na arrecadação total de £15,4 bilhões para £14 bilhões em 2025. O valor médio de cada doação caiu de £72 para £65, contribuindo para o recuo global, segundo a Caf.
Despesas voltadas a causas internacionais também recuaram. Doadores que contribuíam com ajuda estrangeira passaram de 20% em 2016 para 11% em 2024, resultando em redução de cerca de £250 milhões anuais. Há uma percepção de maior foco em causas locais.
Mudança na base de doadores
A Caf estima que cerca de 6 milhões de pessoas deixaram de doar desde 2016, o que pode representar uma perda de até £12 bilhões em renda para o setor voluntário. A instituição aponta que a maior parte da queda se deve a questões de acessibilidade financeira, incluindo pessoas com renda mais alta, acima de £125 mil por ano.
Apesar de o montante arrecadado por doadores individuais ter diminuído, parte de quem continua contribuindo fez doações maiores, mantendo estável o total anteriormente. A mudança é atribuída a uma combinação de custos de vida e mudanças de comportamento.
Reação de especialistas
Especialistas destacam que a queda reflete uma sociedade mais polarizada e um ambiente político recente, com ataques a organizações beneficentes por parte de setores conservadores. A permanência de cortes no financiamento público também é apontada como agravante, limitando a capacidade de atendimento das entidades.
Kai Grant, especialista em filantropia, observa que a redução de doações coincide com uma diminuição de auxílio governamental, o que pode provocar menos serviços e maior dificuldade para beneficiários. A Caf mantém o monitoramento permanente do quadro de doações.
Desafios para o setor
Kate Lee, CEO da National Council for Voluntary Organisations, considera a queda de doações um sinal preocupante para o setor. Em um momento de aumento da demanda por apoio, uma redução tão expressiva pode trazer desafios significativos para instituições que dependem de contribuições privadas para ampliar suas ações.
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