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Mercado revisa previsão de cortes do Fed por inflação, guerra e Trump

Inflação elevada e conflito no Oriente Médio elevam a incerteza sobre o Fed; economistas mantêm dois cortes até o fim do ano, com dúvidas sobre Warsh

Quase um terço dos economistas entrevistados expressou dúvidas sobre Kevin Warsh, escolhido pelo presidente Donald Trump para suceder o presidente Jerome Powell (Foto: Bloomberg)
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  • Economistas adiaram o primeiro corte da taxa do Federal Reserve para junho, ao invés de março, e ainda veem duas reduções de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, com projeção mediana acima da prevista pelo Fed para 2026.
  • Quase um terço dos entrevistados questiona o compromisso de Kevin Warsh com a meta de inflação de 2%, sendo maior a parcela que não acredita que o comitê continuará dedicado a essa meta.
  • A inflação preferida pelo Fed encerrou 2025 em 2,9% e permanece acima da meta há cinco anos.
  • O presidente Donald Trump tem pressionado Powell a reduzir as taxas, inclusive com mensagens públicas, enquanto as decisões continuam a depender do Comitê Federal de Mercado Aberto.
  • Os economistas esperam que as projeções de inflação e de crescimento sejam ajustadas no próximo encontro, com o intuito de refletir o atual cenário de guerra no Oriente Médio e pressões de inflação.

A inflação elevada, a continuidade do conflito no Oriente Médio e a indicação de Kevin Warsh pelo presidente Donald Trump para o Fed estão levando economistas a reavaliar a trajetória de cortes de juros. Em pesquisa da Bloomberg News, 46 economistas projetam o primeiro recuo em junho, em vez de março, e mantêm dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual até o fim do ano.

O consenso aponta para um ritmo de aberturas de política monetária mais acelerado do que o previsto pelos contratos de futuros. Também há expectativa de um corte adicional em 2026 acima do que o Fed sinalizou em dezembro, segundo a mediana das projeções.

A confiança na indicação a Warsh é baixa entre parte dos economistas. Quase 1/3 expressa dúvidas sobre o compromisso dele com a meta de inflação de 2%. Entre os que duvidam, a maioria não acredita que o comitê, como um todo, seguirá a meta.

Percepção sobre Warsh e inflação

A taxa de inflação preferida pelo Fed encerrou 2025 em 2,9%, acima da meta há cinco anos. Trump tem pressionado Powell a reduzir as taxas, alegando necessidade de estímulo. Em 12 de março, o ex-presidente pediu cortes imediatos nas redes sociais.

As decisões sobre juros continuam sob a alçada dos 12 membros do Fomc, não apenas do presidente do Fed. Ainda assim, as falas de Trump podem influenciar a percepção do público sobre a dedicação do banco à meta de inflação.

Cenário e próximos passos

Em janeiro, as autoridades mantiveram as taxas estáveis após três cortes no fim de 2025. Dados de emprego mais recentes indicaram, porém, queda no mercado de trabalho e alta nos preços do petróleo, alimentados pelo conflito regional.

A pesquisa, realizada entre 6 e 11 de março, foi realizada logo após o início das hostilidades no Oriente Médio. Os economistas esperam revisões nas projeções de inflação e, de forma moderada, no crescimento, para as estimativas divulgadas em dezembro.

Expectativas para a próxima reunião

Espera-se que o Fed aumente levemente suas projeções de inflação e reduza levemente as projeções de crescimento na atualização de março. O debate sobre linguagem que reconheça riscos bilaterais para a trajetória de juros ganhou força, com 45% dos Economistas prevendo esse apontamento.

As atas da reunião de janeiro mostraram resistência do comitê a essa linguagem, mas o tema volta a surgir diante das pressões externas. O mercado aguarda as novas projeções econômicas que serão divulgadas na próxima reunião.

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