- Economistas da Bloomberg veem o BCE mantendo as taxas de juros estáveis até 2027, mesmo com riscos inflacionários ligados à guerra no Irã.
- Entre 6 e 11 de março, apenas 7% dos entrevistados esperam mudança até dezembro; menos de um terço prevê aperto até o fim do próximo ano.
- Mercados chegam a precificar alta de 0,25 ponto na taxa de depósito para 2,25% até julho e uma segunda alta para 2,5% até o fim do ano.
- Quatro em cada cinco entrevistados dizem que a próxima medida do BCE provavelmente será alta; quase 60% veem riscos de inflação mais fortes; 70% consideram que superar a meta de 2% é uma ameaça maior.
- A incerteza sobre a duração da guerra no Irã persiste, com previsões variando entre semanas a meses; as projeções do BCE devem incorporar o impacto da guerra de forma limitada neste momento.
Os economistas esperam que o BCE mantenha as taxas de juros inalteradas até 2027, mesmo com os riscos inflacionários ligados à guerra no Irã. A leitura faz parte de uma sondagem realizada pela Bloomberg entre 6 e 11 de março.
Segundo a pesquisa, apenas 7% dos entrevistados preveem mudança nas taxas até dezembro, e menos de um terço acredita em aperto até o fim do próximo ano. As expectativas contrastam com a precificação de mercados, que projeta alta de juros ainda neste ano.
A pesquisa aponta que a maioria dos participantes não antecipa cortes, indicando um cenário de juros estáveis ou elevação gradual. A incerteza sobre a duração do conflito no Irã influencia as leituras de inflação e de política monetária na zona do euro.
Perspectiva sobre o BCE e a inflação
Dirigentes ligados ao BCE monitoram suficientemente sinais de inflação, principalmente após o choque de energia observado desde 2022 com a invasão da Ucrânia. A instituição tem reiterado que a janela de decisão depende dos dados que chegam ao longo do tempo.
Quatro em cada cinco entrevistados veem a próxima medida do BCE como provável aumento, frente a 59% da levantamento anterior. Metade acredita que o risco de alta de inflação aumentou em relação ao passado recente.
Ainda assim, nenhum economista prevê mudança na taxa de depósito na próxima reunião. Cerca de dois terços consideram cedo para avaliar impactos duradouros da guerra sobre a economia.
Expectativas sobre o cenário e impactos
Mais da metade dos entrevistados espera que a guerra no Irã dure de três a cinco semanas, com variações entre uma a duas semanas até 10 meses. Analistas destacam maior volatilidade dos preços de energia como fator de incerteza.
Alguns participantes sinalizam que o BCE pode subir a inflação prevista para este ano e, possivelmente, para 2027. No entanto, a maioria não acredita que as pressões subjacentes subirão com a mesma intensidade.
Autoridades do BCE seguem com vigilância a salários e a componentes de preço que contribuíram para inflação recente. A instituição observa a resposta da economia a choques de oferta.
Observações dos especialistas e próximos passos
Analistas ressaltam que as projeções trimestrais do BCE devem incorporar, ainda que de forma limitada, os impactos da guerra. A influência dos dados de mercado sobre os modelos é citada como ponto de atenção.
O comitê do BCE avalia o cenário à luz de novas informações e, conforme necessário, pode ajustar a política. A comunicação oficial continua a enfatizar dados como guia para decisões futuras. Fonte: Bloomberg.
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