- Hartnett, estrategista do Bank of America, aponta que a alta do petróleo e as preocupações com crédito privado deixam o mercado parecido com o período que antecedeu a crise financeira global de 2008.
- O petróleo dobrou de preço, indo de US$ 70 por barril em julho de dois mil e sete para US$ 140 por barril em agosto de dois mil e oito, acompanhando os tremores do subprime.
- A guerra do Irã, iniciada em fevereiro, elevou os preços do petróleo em mais de sessenta por cento neste ano, aumentando temores de estagflação.
- Há ainda apreensão com o crédito privado, com resgates de fundos, escrutínio de padrões de subscrição e impacto da inteligência artificial em alguns tomadores.
- O consenso de mercado ainda espera um conflito no Irã de curta duração e vê riscos para lucros; recomendações de investimento incluem vender petróleo acima de US$ 100 por barril, títulos do Tesouro de trinta anos acima de 5% e dólar quando o índice à vista ultrapassar 100 e o S&P 500 ficar abaixo de 6.600.
O preço do petróleo em alta e as preocupações com o crédito privado estão levando o mercado a lembrar o período que antecedeu a crise financeira global, em 2008, segundo Michael Hartnett, estrategista do Bank of America. A análise foi publicada em nota do banco.
Hartnett recorda o salto do petróleo entre julho de 2007 e agosto de 2008, quando a cotação foi de 70 para 140 dólares por barril, acompanhada pelos primeiros sinais do desmoronamento do crédito ligado ao subprime, afetando instituições como Northern Rock e Bear Stearns.
Atualmente, a guerra do Irã, iniciada em 28 de fevereiro, elevou os preços do petróleo em mais de 60% neste ano. O analista aponta que o desempenho dos ativos em 2026 está cada vez mais próximo do comportamento observado entre 2007 e 2008, com a Wall Street exibindo traços de volatilidade semelhantes.
Desdobramentos para o crédito e a política
As preocupações sobre a exposição dos bancos ao crédito privado aumentam, com fundos buscando resgates, revisões de padrões de subscrição e impactos da inteligência artificial em tomadores de empréstimo. O aumento nos custos de energia reforça temores de estagflação e pressão sobre políticas monetárias.
O conflito no Oriente Médio, segundo Hartnett, pode levar o BCE a subir as taxas antes do previsto. O analista relembra que, em julho de 2008, o BCE elevou a taxa no mesmo dia em que os preços do petróleo atingiram o pico, antecedente de cortes dias depois.
Apesar disso, o consenso de mercado ainda vê o Irã como um choque de curto prazo e classifica os problemas no crédito como não sistêmicos, mantendo o viés de alta em ativos, já que investidores esperam socorro dos policymakers.
Dados de mercado indicam, porém, maior sensibilidade a choques de energia. O rendimento de 30 anos estava em 4,89% na sexta-feira, o dólar atingiu 100,18 e o S&P 500 fechou em 6.673 pontos.
Sebastian Raedler, do BofA, comentou à Bloomberg Television a existência de rumores no setor de crédito, traçando paralelos com o cenário de 2007. As informações são de fontes da Bloomberg, com colaboração de equipes de reportagem.
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