- Em entrevista à Bloomberg Línea, o CFO Luiz Garcia afirma que o reajuste do MCMV pode beneficiar metade da base de clientes da Tenda, com a faixa 1 passando de R$ 2.850 para R$ 3.200, sujeito ao conselho curador do FGTS.
- A Tenda segue otimista para 2026, com vendas brutas de R$ 1 bilhão nos dois primeiros meses, alta de 27% em relação aos dois primeiros meses de 2025.
- A empresa projeta lucro líquido consolidado entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões em 2026, excluindo o resultado de swap de dívida.
- No quarto trimestre de 2025, a Tenda registrou lucro de R$ 104,6 milhões, alta de 390,9% ante o mesmo período de 2024; a Alea, braço de casas pré-fabricadas, teve prejuízo de R$ 50,2 milhões no trimestre.
- A faixa 1 continua respondendo pela metade dos negócios no MCMV, com expectativa de ampliar participação das faixas 2 e 3; a faixa 4 não está nos planos devido ao modelo de construção industrializado.
A Tenda mantém tom otimista para 2026, destacando ganhos potenciais com reajuste do Minha Casa Minha Vida (MCMV). CFO Luiz Garcia afirma que mudanças propostas pelo governo podem beneficiar metade da base de clientes da empresa, concentrada no nível 1 do programa.
A proposta, apresentada no início de março pelo Ministério das Cidades, amplia o teto de renda em todas as faixas do MCMV, elevando também os tetos das faixas 3 e 4. O objetivo é atender à demanda da classe média sob pressão eleitoral.
Para a Tenda, o ponto central é o reajuste da faixa 1, que representa cerca de metade da base da companhia. O limite sugerido subiria de R$ 2.850 para R$ 3.200, se aprovado pelo conselho curador do FGTS, segundo Garcia.
“A renda mediana do nosso cliente é de R$ 3.000, então estimamos que caberá captar os benefícios desse movimento de maneira expressiva”, disse o executivo à Bloomberg Línea.
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Desempenho recente e perspectivas
A Tenda tem se beneficiado do atual momento positivo do MCMV, que ganhou força no governo Lula. A empresa divulgou, em 5 de março, que alcançou R$ 1 bilhão em vendas brutas nos dois primeiros meses de 2026, alta de 27% frente ao mesmo período de 2025.
Para 2026, a incorporadora projeta lucro líquido consolidado entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, excluindo o resultado de swap de dívida. O guidance representa aumento de 35% a 62% no indicador, conforme o balanço divulgado.
No quarto trimestre de 2025, a Tenda teve lucro líquido de R$ 104,6 milhões, crescimento de 390,9% ante o mesmo período de 2024. A performance foi puxada pela divisão de incorporação vertical, enquanto a Alea, unidade de casas pré-fabricadas, registrou prejuízo.
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Estrutura de negócios e custos
A Alea fechou 2025 com prejuízo de R$ 130,4 milhões no acumulado, após ter apresentado resultado negativo no trimestre. A empresa adiou o breakeven, com meta para 2027, e espera queima de caixa entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões em 2026.
Mesmo assim, a Tenda destaca força consolidada, apontando que o segmento de incorporação continua a sustentar o crescimento. A empresa descreve o momento como favorável para o grupo como um todo.
Ações da Tenda (TEND3) avançaram 7,5% no dia seguinte à divulgação do balanço, acumulando ganhos de 30% no ano e 115% em 12 meses até a última sessão.
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Distribuição por faixa e mão de obra
Atualmente, a faixa 1 responde por metade das vendas do MCMV da Tenda. A empresa estima revisitar a distribuição até o fim de 2025, buscando equilíbrio entre as faixas, com a faixa 3 entre 20% e 25% do portfólio.
A faixa 4 não faz parte dos planos, segundo o CFO, por exigir projetos mais complexos e maior demanda de mão de obra, incompatíveis com o modelo de construção industrializada da empresa.
A elevação de custos com mão de obra preocupa o setor desde 2023, e o Congresso pode discutir ainda este ano a conclusão da escala 6×1. Garcia afirma que, se a mudança ocorrer, o impacto na Tenda tende a ser limitado, pela atual produtividade média de 40 horas semanais e pelo uso do modelo industrializado.
A Tenda sustenta que seu patamar de mão de obra está cerca de 10 pontos percentuais abaixo da média do setor econômico, o que, na visão da empresa, contribui para a resiliência operacional em cenários de mudança regulatória.
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