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Mercado de vinho no Brasil supera R$ 21 bi e concorrência pressiona margens

Mercado de vinhos no Brasil movimenta cerca de R$ 21,1 bilhões em 2025, com demanda em alta, mas margens pressionadas pela oferta

País passou a ganhar destaque entre vinícolas internacionais diante da desaceleração do consumo em mercados tradicionais, especialmente na Europa
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  • O mercado de vinhos no Brasil movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões em 2025, com alta de nove por cento sobre o ano anterior, puxado pela retomada do consumo.
  • O volume abastecido chegou a 54,5 milhões de caixas de nove litros, configuração que aproxima o setor dos níveis pré-pandemia.
  • A oferta de vinhos cresce mais rápido que a demanda, pressionando preços e margens ao longo da cadeia de distribuição.
  • O segmento super premium foi o que mais cresceu, com cerca de quinze por cento de aumento no faturamento; vinhos de entrada recuaram cerca de três por cento.
  • Mudanças regulatórias e comerciais devem impactar o mercado: reforma tributária pode padronizar preços entre estados e o acordo entre Mercosul e União Europeia pode reduzir tarifas e ampliar rótulos estrangeiros.

O mercado de vinhos no Brasil voltou a crescer em 2025, movimentando cerca de R$ 21,1 bilhões. A informação foi apresentada na 11ª edição do seminário Adega Ideal, realizada na terça-feira (10). O aumento estimula a recuperação do consumo após ajuste de estoques.

O volume total abastecido chegou a 54,5 milhões de caixas de nove litros, alta de 9% frente ao ano anterior. O dado aproxima o setor dos níveis registrados no auge da pandemia, segundo a Ideal BI.

Executivos do setor apontam um desafio estrutural: a oferta cresce mais rápido que a demanda, pressionando preços e margens ao longo da cadeia. A rentabilidade é moldada pela competição acentuada no varejo e pelas importações.

Efeito sobre margens e cadeia

Felipe Galtaroça, CEO da Ideal BI, afirma que o crescimento do consumo não acompanha a pressão de oferta, o que gera estoque e derruba rentabilidade. O aumento de importações reduz o multiplicador de preço entre importação e consumidor.

A distribuição revela aperto de margens, com custos logísticos, financeiros e operacionais ainda elevados. Parte do valor não fica com importadores e distribuidores devido a promoções nas prateleiras.

Premiumização em foco

Os vinhos de maior valor agregado mostraram maior resiliência, conforme o seminário. O segmento super premium liderou o faturamento em 2025, com alta de cerca de 15%, seguido pelo premium com ganho próximo de 10%.

Os vinhos de entrada tiveram desempenho mais fraco, com queda de cerca de 3% nas caixas mais baratas. O estudo indica tendência de premiumização entre consumidores de maior renda.

Mercado externo e cenário regulatório

O Brasil tem atraído produtores estrangeiros diante da desaceleração em mercados tradicionais e do acordo Mercosul-UE em negociação. Galtaroça destaca que a França, embora seja apenas o 7º fornecedor, ganha espaço com crescimento recente.

Entre os principais fornecedores, Chile permanece em primeiro lugar, seguido por Brasil, Argentina, Portugal, Itália e Espanha. No contexto regulatório, a reforma tributária pode padronizar preços, e o acordo com a UE pode reduzir tarifas.

Perspectivas e desafio estrutural

Galtaroça aponta que o próximo ciclo dependerá da profissionalização da cadeia e da formação de novos consumidores, não apenas da expansão de volumes. O mercado brasileiro permanece com amplo potencial de crescimento, ainda que desafiado pela competitividade e pelos preços.

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