- Lloyd’s of London afirma que continua a oferecer seguro de casco e carga para navios no Golfo Pérsico, incluindo o estreito de Hormuz, porém a tarifas estão mais altas.
- A seguradora informou que, na semana passada, ampliou as áreas restritas em que clientes precisam avisar para ajustar o prêmio conforme o risco.
- Cerca de quinhentos navios-tanque de petróleo e gás, mais quinhentos porta-contêtores e seis navios de cruzeiro estão retidos de ambos os lados do estreito desde o início do conflito com o Irã; apenas sessenta e seis embarcações já passaram pelo estreito desde o início da guerra.
- Analistas estimam que, antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo global e do gás transmitido por via marítima utilizava a rota; com os seguros, houve elevação significativa das taxas de risco de guerra.
- O governo dos Estados Unidos anunciou um programa de re seguro no valor de 20 bilhões de dólares para cobertura de casco e carga (sem cobertura de poluição), e há cooperação com seguradoras americanas; autoridades britânicas e Lloyd’s reiteraram apoio ao mercado marítimo e à disponibilidade de produtos de seguro a preços adequados.
Lloyd’s of London afirma que continua a oferecer seguro para navios que circulam pelo estreito de Hormuz, apesar de críticas sobre cancelamentos de apólices e reajustes de preços. A companhia sustenta que a cobertura de casco e carga permanece disponível no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã, incluindo no estreito, desde que os clientes acceptem as margens de risco adequadas.
Segundo a empresa, na semana passada houve expansão das áreas restritas que exigem notificação aos seguradores para definir o prêmio correspondente ao risco. Estima-se que hoje cerca de 500 petroleiros, 500 cargueiros e seis navios de cruzeiro estejam retidos em cada lado do corredor de Hormuz.
Analistas estimam que, com o aumento do risco de conflito, as tarifas de seguro de danos de guerra para uma embarcação subiram para entre 1% e 1,5% do valor segurado, ante 0,25% antes do início do conflito com o Irã. Navios petroleiros permanecem com valores entre US$ 17 milhões e US$ 100 milhões, o que eleva o custo para as operadoras.
A produção de petróleo na região está sendo afetada: apenas 66 navios já atravessaram o estreito desde o início do confronto. Em tempos normais, cerca de um quinto do suprimento global de petróleo e de gás cru trafega pela rota. O mercado de seguros de guerra tem reagido com reajustes e exclusões específicas.
Reação governamental e discussões internacionais
O governo dos EUA anunciou, na sexta-feira, uma linha de reasseguro de US$ 20 bilhões para cobrir casco e carga, com exclusão de poluição em caso de naufrágio, trabalhando com seguradoras americanas. Analistas questionam a eficácia do mecanismo no curto prazo.
A chefe do Tesouro Britânico, Rachel Reeves, informou aos parlamentares que trabalha com Lloyd’s, a administração dos EUA e aliados para reabrir o trânsito no estreito de Hormuz e assegurar preços de seguros adequados. O objetivo é manter a confiança de navios que atravessam a rota.
O presidente do Lloyd’s, Sir Charles Roxburgh, afirmou ter apresentado à ministra a persistência de um mercado de seguros marítimos aberto, apto a sustentar o comércio internacional diante do risco elevado. Ele destacou cooperação com parceiros-chave no Reino Unido, EUA e no exterior.
Neil Roberts, da Lloyd’s Market Association, ressaltou que o seguro de guerra é fornecido por um mercado dinâmico, com novas tarifas negociáveis entre seguradoras, segurados e corretores. O atual conflito no Golfo exige ajustes no panorama de risco.
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