- A Binance entrou com processo de difamação contra o Wall Street Journal no Distrito Sul de Nova York, alegando que a reportagem divulgou afirmações falsas sobre seus controles de compliance e dados de sanções iranianas.
- A matéria do WSJ, publicada em fevereiro, afirmou que a Binance processou mais de US$ 1,7 bilhão em transações ligadas a entidades sancionadas, incluindo a empresa Blessed Trust; a Binance contesta as alegações.
- A defesa da Binance afirma ter enviado 19 respostas detalhadas e respondido a 27 perguntas antes do prazo, mas nenhuma foi publicada no texto final; o CEO Richard Teng nega as alegações.
- A Binance afirma ter reduzido em 96,8% a exposição a sanções com protocolos atualizados e que mais de 1,5 mil funcionários trabalham em conformidade.
- O preço do token BNB caiu cerca de 1% nas últimas horas, situando-se em US$ 640, com investidores temendo o desdobramento do litígio.
O exchange de criptomoedas Binance moveu uma ação de difamação contra o Wall Street Journal (WSJ) no Distrito Sul de Nova York. A queixa, protocolada nesta segunda-feira, 11 de março, alega que a reportagem publicou afirmações falsas sobre os controles de conformidade da empresa e o manejo de dados de sanções, principalmente envolvendo o Irã. A ação busca reparação por danos causados pela reportagem.
Segundo a publicação, o WSJ publicou um artigo com acusações de que a Binance teria atuado de forma irregular ao processar transações envolvendo entidades sancionadas, incluindo números que teriam superado 1 bilhão de dólares. A matéria gerou desvalorizações de curto prazo na cotação do token BNB, que recuou cerca de 1% nas últimas horas.
O CEO da Binance, Richard Teng, criticou publicamente a reportagem, afirmando que as informações eram imprecisas e que evidências documentadas teriam sido apresentadas antes da publicação, mas não foram consideradas pelo veículo.
O que o WSJ alegou e por que a Binance contesta
A reportagem, com título “Binance Demitiu Funcionários que Detectaram Fluxos de 1 Bilhão de Dólares para Entidades Iraquianas”, descreveu uma disputa interna na maior exchange do mundo e afirmou que integrantes da conformidade teriam sido desligados por atuar conforme as responsabilidades, não por violar políticas.
A matéria sustenta que a Binance teria processado US$ 1,7 bilhão em transações vinculadas a entidades iranianas, incluindo uma conversora de fiat para criptomoedas sediada em Hong Kong chamada “Blessed Trust”. Alega que a atividade continuou mesmo diante de alertas internos, gerando abertura de investigação regulatória.
A CNBC citou o senador Richard Blumenthal para exigir apuração formal sobre as operações da plataforma. Em resposta, Teng negou as acusações em 6 de março, reiterando que demissões ocorreram por violações de políticas de dados, não por detectar evasão de sanções.
Defesa da Binance e números apresentados
A Binance afirma ter enviado 19 respostas detalhadas e respondido a 27 perguntas até o prazo, sem que esses elementos integrassem a reportagem final. O executivo ressaltou que as demissões ocorreram por violações de políticas de dados, não por apontar possíveis desvios de sanções.
A empresa destacou números para contestar as alegações, afirmando ter reduzido em 96,8% o risco de exposição a sanções por meio de protocolos aprimorados. Atualmente, mais de 1.500 funcionários atuam na área de conformidade, o que representa quase um quarto da força de trabalho da companhia.
Sobre a conta associada à “Blessed Trust”, a Binance informou que a entidade foi removida de seus sistemas e comunicada às autoridades em 2025, antes mesmo de a reportagem mencionar atividade contínua.
Implicações para Binance e o ecossistema de mídia cripto
A ação busca danos compensatórios e punitivos, defendendo que a reportagem causou danos cuja reparação por meio de uma simples errata não seria suficiente. O movimento ocorre após uma decisão favorável à Binance, em 7 de março, quando um juiz federal rejeitou uma ação separada que alegava financiamento de terrorismo por meio da plataforma.
Investidores acompanham o caso como teste do padrão de “malícia real” na cobertura de cripto, em um contexto de maior escrutínio regulatório e propostas de proibição de plataformas de previsão de mercado, como Polymarket, em discussão no Congresso.
A Binance seguirá avaliando respostas da imprensa e possíveis desdobramentos regulatórios decorrentes da reportagem, com atualizações previstas à medida que novos fatos surgirem.
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