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Raízen inicia recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 70 bi

Raízen inicia recuperação extrajudicial para renegociar R$ 70 bilhões, com credores que representam quarenta por cento do passivo, após aporte de capital

Raízen: O acordo da empresa, controlada pela Shell e pela Cosan, foi firmado com credores que representam 40% da dívida. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
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  • Raízen iniciou recuperação extrajudicial para renegociar dívida de cerca de R$ 70 bilhões, acordo com credores que representam 40% do passivo.
  • A empresa, controlada pela Shell e Cosan, vinha negociando com bancos e detentores de títulos na última semana, após a Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, concordarem em injetar R$ 4 bilhões em capital.
  • A proposta de reorganização pode incluir a conversão de parte do passivo em ações, extensão de prazos de vencimento e venda de ativos não estratégicos.
  • Embora Ometto participe da injeção, a empresa fundada por ele não integra mais as negociações; a Shell pode passar a ser acionista maior, exigindo consolidação da Raízen nas demonstrações da Shell.
  • Títulos da Raízen seguiram sob pressão; agências reduziram o rating a grau especulativo e a dívida líquida fechou o ano em R$ 55,3 bilhões, com alavancagem de 5,3 vezes o EBITDA.

A Raízen informou que iniciou um processo de recuperação extrajudicial visando renegociar dívidas estimadas em cerca de R$ 70 bilhões. O acordo foi confirmando pelo jornal O Globo, com bases em relatório da Bloomberg News. A operação envolve credores que representam 40% do total da dívida.

A empresa é controlada pela Shell e pela Cosan. A injeção de capital acordada envolve as duas acionistas contribuindo com ativos financeiros, somando R$ 4 bilhões, para facilitar a reorganização financeira.

A proposta também contempla conversão de parte do passivo em ações, alongamento de prazos de vencimento e venda de ativos não estratégicos. Rubens Ometto participa da injeção individualmente, mas a Cosan não integra mais as negociações da Raízen.

O acordo pode modificar a estrutura acionária, elevando a participação da Shell e exigindo consolidação da Raízen nas demonstrações da petroleira britânica. A Cosan permanece como cocontroladora, com participação igual anteriormente.

Fontes próximas aos tenderos indicaram resistência de fundos de private equity geridos pelo BTG Pactual a alguns termos. Esses fundos optaram por não realizar novos aportes no momento.

Na semana passada, a Shell propôs investir R$ 3,5 bilhões como parte de uma solução estrutural, buscando aliviar os desafios de endividamento da Raízen. A empresa enfrenta juros elevados, safras fracas e investimentos ainda não returnados.

A dívida líquida da Raízen fechou o ano passado em R$ 55,3 bilhões, com alta de 43% ante o ano anterior. A relação dívida/EBITDA subiu para 5,3 vezes, frente 3,0 vezes no exercício anterior.

Títulos da Raízen já estavam pressionados e sofreram novas quedas após mudanças na postura sobre reestruturação no início deste ano. Agências de rating rebaixaram a empresa para patamar especulativo.

As negociações seguem com bancos e detentores de títulos, enquanto a empresa busca uma solução para o endividamento e para manter a operação de suas atividades de açúcar e etanol. A reportagem é baseada em informações de Bloomberg News e O Globo.

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