- A Raízen está próxima de fechar acordo com credores para iniciar uma recuperação extrajudicial, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News.
- Um acordo com bondholders pode sair ainda nesta semana; bancos e credores vinham reduzindo posições de hedge atreladas a dívida em dólar durante as negociações.
- Cosan e Shell não estão mais em negociações separadas para resgatar a Raízen; as conversas passaram a ocorrer entre Raízen, Shell e credores.
- Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, concordaram em aportar juntos R$ 4 bilhões como parte de uma solução que pode incluir extensão de vencimentos, conversão de parte da dívida em ações e venda de ativos não estratégicos.
- A Raízen enfrenta endividamento elevado e fluxo de caixa deteriorado, encerrando o último ano com dívida líquida de R$ 55,3 bilhões e alavancagem de 5,3 vezes o ebitda; títulos recuaram e rating caiu para grau especulativo.
A Raízen está próxima de chegar a um acordo com seus principais credores para iniciar uma recuperação extrajudicial, segundo fontes próximas ao tema ouvidas pela Bloomberg News. O entendimento pode sair ainda nesta semana, conforme o andamento das negociações.
As conversas, já em curso há uma semana, envolvem bancos e detentores de dívida, com redução de posições de hedge atreladas a dívidas em dólar. Raízen e credores trabalham para alinhar termos financeiros diante da volatilidade cambial.
A Cosan, controladora da Raízen por meio de uma joint venture com a Shell, afirmou não estar mais em negociações para resgatar a empresa. Os credores, contudo, discutem o futuro da Raízen em conjunto com a Shell, segundo o CEO da Cosan, Marcelo Martins, em teleconferência de resultados.
Avanço das negociações
Na semana passada, a Raízen sinalizou que pode entrar com um processo de reestruturação extrajudicial como parte de uma solução para o endividamento. A Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, propõem injetar R$ 4 bilhões, envolvendo uma reestruturação mais ampla da dívida.
A proposta também pode incluir conversão de parte da dívida em ações, alongamento de prazos para o saldo remanescente e venda de ativos não estratégicos. Anteriormente, houve discordância entre Cosan e Shell sobre o aporte de capital.
O BTG Pactual, outro ator relevante, estava entre os interessados, mas decidiu não aportar recursos. Com isso, bancos e credores intensificaram a avaliação da estrutura de capital da Raízen, segundo pessoas envolvidas nas conversas.
Situação financeira
A Raízen vem enfrentando juros elevados, safras fracas e investimentos de melhoria ainda sem retorno, o que comprometeu o caixa. Ao fim do último ano, a dívida líquida totalizou R$ 55,3 bilhões, alta de 43% ante o ano anterior, com alavancagem de 5,3x.
Os títulos da empresa já operavam sob pressão, com quedas após mudanças no tom sobre a reestruturação. Agências de rating reduziram o grau de investimento para níveis especulativos, aumentando o desempenho negativo no mercado.
A dívida com vencimento em 2034, que chegou a ser negociada acima de 80 centavos de dólar, hoje se aproxima de 49,5 centavos, conforme dados da Trace. Os rendimentos giram em torno de 19%, ainda acima de níveis considerados estáveis no crédito.
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