- José Antonio Kast assume a presidência no Chile em meio a turbulência global provocada pela guerra no Irã, que afetou os mercados.
- O eleito prometia crescimento econômico, desregulamentação e cortes de gastos públicos; o mercado chileno reagiu positivamente após a vitória, mas o cenário externo complicou o programa econômico.
- Não há planos anunciados de contingência econômica até o momento, segundo um porta-voz da equipe econômica de Kast.
- O Chile, maior produtor mundial de cobre e grande importador de petróleo, registra volatilidade nos preços do cobre e aumento recente nos preços do petróleo, elevando riscos inflacionários.
- Relatórios internacionais destacam que o Chile é sensível a choques externos; o MEPCO, fundo de estabilização de combustível, ajuda a atenuar altas de preços, mas não elimina impactos, e a inflação pode continuar pressionada.
O Chile assume a nova etapa com Jose Antonio Kast à frente do governo, após vencer a eleição de dezembro com promessas de crescimento econômico, desregulamentação e cortes de gastos. O país enfrenta turbulência global provocada pela guerra no Irã, que impacta mercados internacionais e o peso da moeda local.
Kast assume o cargo em meio a um cenário externo volátil e não informou contingências econômicas específicas a serem adotadas de imediato, segundo o porta-voz de sua equipe econômica. Analistas destacam que as ações dependerão do comportamento da moeda, da inflação e do crescimento.
Contexto econômico
O país, maior produtor mundial de cobre e segundo maior de lítio, sente fortemente as oscilações de preços internacionais. O cobre subiu até 13.618 dólares a tonel, entre junho e janeiro, gerando receita adicional estimada entre 27 e 35 milhões de dólares por ponto percentual de alta, segundo o governo saindo.
Antes da guerra, especialistas avaliavam receita adicional de até 4 bilhões de dólares com a alta do cobre; porém, o preço tem oscilado, voltando a cerca de 13.098 dólares nesta terça. O petróleo, importado, chegou perto de 120 dólares o barril, elevando custos.
Cenário financeiro e inflação
A inflação pode aumentar com o choque do petróleo, aponta Oxford Economics em relatório sobre mercados emergentes. Grupos na região destacam Chile como vulnerável a choques externos, incluindo geopolítica e oscilações de mercados.
Marcela Vera, da Universidade de Santiago, enfatiza a sensibilidade chilena a choques externos e o modelo econômico baseado em exportações primárias, com pouca proteção financeira interna.
A bolsa IPSA seguiu em alta após a eleição, atingindo pico em janeiro com alta de cerca de 65% na comparação anual. O peso chileno ganhou força até fevereiro, mas recuou após novos avanços voláteis nos preços do petróleo e incerteza global.
Perspectivas e instrumentos públicos
Vera cita o fundo de estabilização de combustíveis MEPCO, que opera em ciclos de três semanas para atenuar picos de preço. Se o conflito se prolongar, o efeito econômico tende a se tornar crônico, aumentando custos logísticos e de dólar, segundo a economista.
Um relatório da JPMorgan, divulgado na sexta-feira, afirma que o MEPCO reduz impactos de altas do petróleo, mas não elimina efeitos de repasse. A instituição elevou a projeção de inflação para dezembro a 3,6%, com riscos inclinados ao lado positivo.
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