- A Cosan afirmou que deve haver novos desdobramentos nos próximos dias sobre o plano de capitalização da Raízen, com a atuação da Shell e de credores em discussão.
- A Raízen sinalizou proposta liderada pela Shell para capitalização de 4 bilhões de reais, incluindo 3,5 bilhões da Shell e 500 milhões de um veículo ligado à família de Rubens Ometto.
- A Cosan teve prejuízo líquido de 5,8 bilhões de reais no quarto trimestre, ante quase 9,3 bilhões no mesmo período de 2024.
- A empresa ressalta que não participa mais diretamente da capitalização da Raízen, defendendo uma estrutura de capital adequada aos diferentes negócios do grupo.
- A dívida líquida da Raízen chegou a 55,3 bilhões de reais em dezembro, com elevação devido a investimentos, clima e juros, enquanto a Cosan mira desalavancagem por meio de venda de ativos.
O conglomerado Cosan sinalizou, em teleconferência, que deve haver novos desdobramentos nos próximos dias sobre um plano de capitalização da Raízen, empresa de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis na qual a Cosan e a Shell são sócias. O forçamento vem após o prejuízo líquido de 5,8 bilhões de reais no quarto trimestre.
Marcelo Martins, CEO da Cosan, disse que há um engajamento forte com credores, a Shell e Rubens Ometto, que integra o grupo controlador da Cosan. A Aguassanta também trabalha para uma possível contribuição de capital no processo.
Segundo Martins, a solução para a Raízen depende de uma conversa estruturada com credores. A empresa avalia que a evolução do plano pode trazer uma saída satisfatória para o mercado e resolver a crise de endividamento.
A Raízen informou, na semana passada, que analisa uma proposta liderada pela Shell de capitalização de 4 bilhões de reais, com possibilidade de recuperação extrajudicial da empresa. O ajuste inclui aporte da Shell de 3,5 bilhões e 500 milhões de um veículo da família Ometto.
A Cosan teve prejuízo líquido de 5,8 bilhões de reais no quarto trimestre, queda de 38% ante o mesmo período de 2024, quando o prejuízo foi próximo de 9,3 bilhões.
Martins destacou que, para a Cosan, a solução definitiva envolve uma estrutura de capital adequada aos diferentes negócios do grupo, sobretudo diante de geração de caixa distinta entre açúcar/etanol e distribuição de combustíveis.
Ele lembrou que o envolvimento direto da Cosan na capitalização da Raízen não ocorre, conforme comunicação anterior ao mercado, por não participação direta. Ainda assim, acionistas e conselheiros acompanham a evolução.
Segundo o executivo, a separação dos negócios da Raízen — produção de açúcar/etanol e distribuição de combustíveis — é considerada importante para a robustez da estrutura de capital. Contudo, não há imposição de condições, afirmou.
Martins também ressaltou que a Cosan não pode impor termos aos credores nem aos acionistas da Shell, destacando a necessidade de compatibilidade com as exigências das partes envolvidas.
A dívida líquida da Raízen chegou a 55,3 bilhões de reais ao fim de dezembro, impulsionada por investimentos, clima adverso e juros altos. As ações da Cosan operavam em alta, enquanto as da Raízen caíam no pregão vespertino.
Em relação à estratégia de zerar a alavancagem, a Cosan trabalha com venda de ativos, mas sem pressa para fechar negócios a qualquer preço. O foco é manter saneamento financeiro e eficiência na utilização de capital.
O presidente executivo reiterou que a Cosan pode considerar desinvestimentos oportunistas, sem indicar ativos específicos. Entre as possibilidades estão ajustes em participações estratégicas, incluindo a Rumo, conforme o momento adequado.
Por fim, Martins mencionou que a empresa acompanha também a oferta pública inicial da Compass Gás e Energia como parte das opções de desalavancagem no curto prazo, sem pressões para resultados imediatos.
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