- A Autorité des Marchés Financiers (AMF) abriu investigação sobre Michele Kang, presidente do Lyon, por possível “acordo paralelo” envolvendo o fundo Ares e a Eagle Football Group.
- A AMF questiona a criação de um “conselho sombra” que operava o Lyon fora do conselho oficial, sem divulgação aos acionistas da empresa listada na bolsa de Paris.
- O órgão também registra um compromisso entre as partes para que a Ares não penhorasse ações da Eagle ou de subsidiárias sem consentimento prévio.
- Michele Kang foi chamada a responder às investigações, com a AMF avisando que pode tomar medidas para assegurar conformidade com a lei.
- No fim de fevereiro, John Textor acusou o acordo paralelo de prejudicar a gestão do Botafogo e destituiu diretores independentes da Eagle Bidco; a Eagle Bidco voltou a ter John Textor como diretor após atuação da Companies House no Reino Unido.
A Autorité des Marchés Financiers (AMF), regulador financeiro da França, abriu uma investigação sobre Michele Kang, presidente do Lyon, em relação a um suposto “acordo paralelo” envolvendo o fundo Ares, Chris Mallon e Kang. O foco é a suposta criação de um “conselho sombra” que operava o Lyon à parte do conselho oficial, sem aviso aos acionistas listados. A AMF aponta que a Eagle Football Group, dona da Eagle na Euronext Paris, deve cumprir regras de divulgação de acordos de governança.
A investigação também questiona um compromisso entre as partes para evitar a penhora de ações da Eagle Football Group ou de subsidiárias, como a Eagle Bidco, sem consentimento prévio. Ares é credora da Eagle na aquisição do Lyon, ocorrida em 2022, o que amplia o interesse do regulador em transparência sobre as operações societárias envolvidas.
A AMF solicitou que Kang responda aos questionamentos com rapidez e advertiu que pode adotar medidas para assegurar a conformidade com as leis aplicáveis. A apuração envolve a relação entre Kang, o fundo Ares e executivos da Eagle Bidco.
Batalha de John Textor nos bastidores
No fim de fevereiro, John Textor, proprietário da SAF do Botafogo e diretor da Eagle Bidco, descreveu o que chama de “acordo paralelo” em nota oficial. Segundo Textor, Kang manteve lealdade à separação do Lyon do modelo esportivo da Eagle Football, afirmando que trocas com Ares prejudicaram a gestão do Botafogo. O empresário também informou que destituiu todos os diretores independentes da Eagle Football Holdings Bidco.
Textor afirmou que o acordo secreto, revelado entre Michele Kang, Ares e um diretor da Eagle Bidco, envolveu mudanças na governança e no controle do Olympique Lyonnais sem autorização ou divulgação, violando a lei francesa. O objetivo, segundo ele, foi criar um conselho paralelo que governaria a empresa sem o conhecimento do conselho oficial e dos acionistas minoritários.
Após a saída de diretores independentes da Eagle Bidco, Stephen Welch e Hemen Tseayo, no fim de janeiro, a Eagle destituiu Textor do cargo. Ares contestou a decisão por meio de carta enviada à Companies House, órgão comercial do Reino Unido, alegando autoridade para destituir Textor. Em resposta, Textor alegou que a legislação britânica não permite a nomeação de diretores sem consentimento prévio.
Em 28 de janeiro, Welch informou à Companies House, em conjunto com Tseayo, que a Ares não tinha autorização para propor a recondução dos ex-diretores. A Companies House reconheceu, posteriormente, a volta de Textor ao cargo de diretor da Eagle Bidco.
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