- a China apresentou um roteiro quinquenal para impulsionar avanços científicos e incorporar a IA em toda a sua máquina econômica industrial, posicionando a tecnologia como foco de segurança nacional frente aos EUA
- o plano ambiciona manter o crescimento entre quatro e cinco por cento em 2026, com crescimento puxado pela oferta tecnológica e por uma demanda interna mais forte, em meio a riscos no setor imobiliário e dívida local
- o orçamento de defesa, pesquisa e desenvolvimento deve subir cerca de sete por cento; o governo reforça ações para manter vantagem em terras raras e cadeias de suprimento
- o documento prevê ampliação de IA na cadeia de suprimentos, criação de um mercado nacional de dados, aumento do valor agregado das indústrias digitais e avanços em biomedicina, computação quântica, fusão nuclear e robôs movidos a IA
- a China busca reduzir dependência externa em tecnologias estratégicas, ampliando o papel do Estado na demanda por semicondutores, drones e fabricação avançada, em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos
A China apresentou um roteiro de cinco anos para impulsionar avanços científicos e incorporar a inteligência artificial em toda a máquina econômica industrial. O objetivo é fortalecer a segurança nacional diante da rivalidade com os EUA, segundo o governo divulgado nesta quinta-feira.
O plano quinquenal, o 15º desde a adoção dos ciclos de planejamento quinquenais, aposta que a tecnologia, e não o consumo, guiará o próximo ciclo de desenvolvimento chinês. Xi Jinping busca novas forças produtivas para escapar da armadilha da renda média.
Li Qiang, primeiro-ministro, abriu a sessão anual do Parlamento e reconheceu riscos como o aumento de tarifas e a crise no setor imobiliário. O governo anunciou aumentos de 7% no orçamento de defesa, ciência e tecnologia.
Contexto econômico e metas
A autoridade destacou um desequilíbrio entre oferta e demanda e criticou a dívida de governos locais. O país fixou meta de crescimento de 4,5% a 5% para 2026, menor que a de 2025, ainda impulsionada pelo superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão.
O plano promete elevar o consumo das famílias, embora sem números específicos, sinalizando menor foco em reformas de demanda. Disputas comerciais com a administração Trump destacaram a importância de dominar cadeias de suprimento estratégicas.
A China visa manter vantagem em terras raras, inserindo-se em setores-chave para chips, IA e defesa. Especialistas veem o reforço tecnológico como resposta à competição com os EUA.
Estrutura e ambições do plano
O documento de 141 páginas eleva o peso da IA, prevendo robôs com pouca supervisão humana e fábricas automatizadas. A meta inclui aumentar o valor agregado das indústrias digitais para 12,5% do PIB.
Entre as áreas de foco estão biomedicina, tecnologia quântica, fabricação em escala atômica e fusão nuclear. O governo projeta um mercado nacional de dados mais integrado e um sistema de segurança de IA.
A China também planeja dobrar o número de estações de recarga de veículos elétricos, áreas em que já detém liderança mundial, ampliando a infraestrutura para apoiar o crescimento industrial.
Reação e perspectivas
Economistas ressaltam que o governo continua apoiando avanços tecnológicos para manter competitividade internacional. A política de incentivar serviços de alta tecnologia é vista como parte de um reequilíbrio econômico com menos dependência de consumo.
Analistas destacam que o impulso chinês depende de iniciativas estatais, dívida e capacitação de mão de obra para sustentar a transição para a economia baseada em tecnologia. A evolução dependerá de fatores externos e internos.
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