- O setor de infraestrutura pode iniciar a nova janela de IPOs, por oferecer fluxo de caixa previsível, contratos de longo prazo e menor sensibilidade ao ciclo econômico.
- O interesse por segmentos com previsibilidade e menos dependência do ciclo curto tem ganhado força entre investidores, impulsionando infraestrutura como aposta de abertura de capital.
- Aegea avançou para a possibilidade de IPO após a CVM aprovar a conversão para a categoria A, abrindo caminho para oferta pública de ações; outros projetos de concessões e privatizações também buscam capital.
- O cenário macro ainda é de juros altos e aversão ao risco, com a Selic em 15%, e a percepção de queda dos juros pode favorecer ativos com retorno de longo prazo.
- Especialistas destacam a previsibilidade de receita e as altas barreiras de entrada em infraestrutura, com água, saneamento e energia entre os segmentos com maior potencial.
O interesse do mercado por IPOs no Brasil voltou a ganhar força, com sinais de que o setor de infraestrutura pode abrir a nova janela de ofertas. O apetite acompanha um momento de maior equilíbrio entre previsibilidade de caixa e sensibilidade ao ciclo econômico.
Empresas com ativos físicos relevantes, como rodovias, portos e usinas, aparecem entre as favoritas. O setor costuma oferecer contratos de longo prazo e receitas atreladas à inflação, o que ajuda na avaliação de risco em um cenário de juros elevados e aversão a risco global.
No mês anterior, o CEO da B3 sinalizou que infraestrutura é uma das apostas para a retomada de IPOs, em meio a um volume crescente de projetos de concessões, privatizações e expansão que dependem de capital externo ou de dívida.
Novas oportunidades
Aegea avança para um possível IPO após a CVM aprovar a conversão de seu registro para a categoria A, habilitando a negociação de ações e abertura de capital. Analistas ressaltam que o setor oferece fluxo de caixa previsível e capacidade de alocação de capital para expansão.
Para o head de infraestrutura do UBS BB, o diferencial está no perfil de risco aliado à previsibilidade de fluxo de caixa, que atrai investidores mesmo com juros altos. A ideia é ancorar valuation em ativos com contratos estáveis.
Especialistas da Mapa Capital destacam o efeito halo de ativos intensivos em capital com baixa obsolescência. A demanda por infraestrutura e commodities pode sustentar a expansão da IA, segundo o study.
Além da infraestrutura, há atenção a setores financeiros de nicho que participam da reabertura, com exemplos como bancos buscando novas janelas de captação ou reedições de IPOs já anunciadas, conforme gestores ouvidos pelo mercado.
Divisor de águas
O desempenho inicial das primeiras ofertas pode influenciar o apetite do investidor. Caso haja queda de valorização logo na estreia, o interesse pode recuar, mesmo com cenário de juros ainda elevados.
A Selic permanece elevada, em torno de 15%, o que continua pesando na viabilização de novas emissões. Expectativas de queda nos juros podem clarear o cenário de retorno para projetos de longo prazo.
Para o UBS BB, a reabertura tende a começar por ativos com fluxo de caixa previsível, onde o valuation se ajusta mais rapidamente com a mudança de juros. Já a queda da rentabilidade da renda fixa pode favorecer ativos de infraestrutura.
No ritmo da janela, investidores estrangeiros tendem a liderar a retomada, com participação doméstica crescendo à medida que o aperto monetário desacelera e as ofertas mostram desempenho consistente, sugerem especialistas.
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