- Os Emirados Árabes Unidos seguem a Estratégia Nacional de Segurança Alimentar 2051, com a meta de produzir cinquenta por cento do consumo doméstico até 2051 e ampliar fontes de suprimento, apoiada por 38 iniciativas.
- A aposta em tecnologia, agricultura vertical, hidroponia e sementes adaptadas ao deserto visa diversificar importações e tornar o sistema alimentar mais resiliente, incluindo a criação do Dubai Food District a partir do Mercado Central de Al Aweer, com início da primeira fase em 2027.
- Os investimentos estrangeiros e a atuação de fundos soberanos complementam a estratégia: ADQ detém participação na Louis Dreyfus Company e na Al Dahra Holding, além de parceria com Limagrain e Silal para desenvolver sementes resistentes ao deserto.
- O Abu Dhabi Investment Office impulsiona a agrotecnologia com programas de incentivo e investimentos em companhias como AeroFarms, Madar Farms, RNZ e outras para avançar inovações no campo, no mar e no espaço.
- Desafios persistem: a população já supera 11,5 milhões em 2026, com previsão de 15,3 milhões até 2050, e a demanda, estimada em 8,8 milhões de toneladas até 2029, enquanto 85% a 90% dos alimentos ainda são importados.
A estratégia dos Emirados Árabes Unidos para garantir alimento mira ampliar a produção local e reduzir a dependência de importações. O foco está em tecnologia, agricultura vertical, hidroponia e sementes adaptadas ao deserto, por meio de 38 iniciativas.
O governo investe em infraestrutura, parcerias globais e aquisições estratégicas. Objetivo: enfrentar mudanças climáticas e choques nas cadeias de suprimentos, mantendo o abastecimento estável para o rápido crescimento populacional.
A meta de longo prazo é elevar a produção doméstica para 50% até 2051 e diversificar fontes de suprimento. A iniciativa visa também reduzir perdas e desperdícios, fortalecendo a resiliência alimentar nacional.
Estratégia Nacional e metas
De clima árido e terras limitadas, Abu Dhabi planeja a segurança alimentar sem depender apenas de importações. A Estratégia Nacional de Segurança Alimentar 2051 foi lançada em 2018, com o objetivo de liderar o ranking global nesse tema.
Entre as metas destacam-se: ocupar metade do consumo com produção local e assegurar três a cinco fontes para cada alimento básico. A estratégia envolve 38 iniciativas voltadas a produção local e diversificação de importações.
Além disso, o país aposta em tecnologia e sementes adaptadas ao deserto para ampliar a oferta interna. O impulso tecnológico é acompanhado de grandes projetos de infraestrutura e aquisições estratégicas.
Infraestrutura e logística
A DP World, estatal, anunciou a transformação do Mercado Central de Frutas e Vegetais de Al Aweer no Dubai Food District. A primeira fase começa em 2027 e dobrará o tamanho do mercado, para 2,69 milhões de m².
O distrito funcionará como ecossistema integrado de comércio, armazenamento, processamento e distribuição. A iniciativa busca reduzir perdas, aumentar rastreabilidade e acelerar liberações de mercadorias.
Especialistas ressaltam que a centralização logística não substitui importações, mas reforça a segurança de suprimentos. O objetivo é enfrentar choques globais de oferta com maior eficiência.
Investimentos e parcerias
Os fundos soberanos dos Emirados expandem presença global no agronegócio. Em 2021, a ADQ investiu 45% da Louis Dreyfus Company, fortalecendo contratos de fornecimento de commodities. A ADQ também detém 50% da Al Dahra Holding, com operações em 20 países.
A Al Dahra lidera aquisições como Agricost, na Romênia, e negocia grandes arrendamentos de terras na África e na Europa para irrigação. Tais movimentos visam segurança de suprimentos e exportações para o mercado local.
Em 2025, a ADQ firmou acordo para 35% da Limagrain Vegetable Seeds, criando parceria com a Silal para desenvolver sementes de hortaliças adaptadas ao deserto. A cooperação envolve pesquisa e desenvolvimento conjunto.
Inovação em agrotecnologia
O governo criou incentivos à agrotecnologia. Em 2019, o Abu Dhabi Investment Office lançou um programa de US$ 272 milhões para posicionar a capital como polo de agricultura no deserto. Reinvestimentos sucederam ampliação desse suporte.
Os aportes apoiaram startups como AeroFarms, RDI, Madar Farms e RNZ, entre outras. O foco é avançar a inovação tanto em terra quanto em ambientes controlados.
Desafios atuais
A população em rápido crescimento mantém a pressão por alimentos. Estima-se que o consumo brasileiro alcance 8,8 milhões de toneladas até 2029, impulsionado por renda, turismo e diversidade populacional.
Por outro lado, a oferta não acompanha o ritmo. Atualmente, 85% a 90% dos alimentos são importados, deixando o país vulnerável a choques externos como conflitos regionais.
Publicado originalmente na Forbes Middle East
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