- Rogério Ceron, secretário do Tesouro, afirmou que o conflito no Irã pode antecipar a parada do ciclo de cortes da Selic caso o cenário se intensifique e haja repasse a preços.
- O Ministério da Fazenda vai reunir equipes nos próximos dias para avaliar impactos para o país e considerar cenários com possíveis efeitos positivos na arrecadação e na balança comercial, com petróleo mais valorizado.
- O preço do petróleo subia próximo de oito por cento após ataques que interromperam o transporte no Estreito de Ormuz, em meio a retaliações que deixaram o mapa geopolítico instável.
- O Banco Central manteve a Selic em quinze por cento, mas sinalizou início de cortes; o mercado projeta fim do ano em doze por cento, com os contratos futuros em alta.
- Ceron ressaltou que o Brasil pode atuar como porto seguro para investimentos externos em um ambiente de atritos globais e mencionou a possibilidade de discutir a reorganização de programas sociais, sem aumento de despesa.
O conflito no Irã pode antecipar a parada do ciclo de cortes da Selic, segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. Em evento promovido pelo Valor Econômico, ele afirmou que a intensificação da tensão com repasse para preços pode acelerar o fim do ciclo de redução de juros. O cenário geopolítico, na visão dele, pode trazer ganhos para o Brasil.
Após ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã no fim de semana, o Ministério da Fazenda planeja reunir equipes nos próximos dias para coletar impressões e avaliar impactos para o país. A intenção é mapear cenários com possíveis efeitos na economia brasileira.
O preço do petróleo subia quase 8% na manhã desta segunda-feira, em função de interrupções no Estreito de Ormuz após o ataque que matou o líder iraniano Ali Khamenei. Ceron afirmou que o BC não deve alterar o cenário de curto prazo diante dessa valorização, já que o real tem atuado como amortecedor.
Panorama para o Banco Central
Segundo Ceron, o momento de parada do ciclo de cortes pode ocorrer antes se a incerteza e o repasse a preços se intensificarem. Ele ressaltou que ainda é prematuro fazer avaliações definitivas e citou riscos de uma disparada do petróleo acima de US$ 100.
O BC mantém a Selic em 15% e sinalizou início de cortes neste mês, sem detalhar magnitude ou duração. Com dados do Focus divulgados na segunda, o mercado passou a projetar a Selic em 12% no fim do ano, supervisionando mudanças no cenário de juros.
Ceron destacou que, diante de tensões geopolíticas globais, o Brasil se posiciona como porto seguro para investimentos externos. O governo pode diversificar emissões da dívida pública para atuar nesse ambiente.
Administração de gastos e cenários fiscais
O secretário comentou sobre a possibilidade de reorganizar programas sociais, citando sobreposições e crescimento insustentável de despesas como fatores para reavaliação. A ideia é, segundo ele, tornar a assistência mais eficiente sem elevar despesa.
Ele repetiu a posição do ministro Fernando Haddad sobre repensar o modelo de assistência social, com foco em reduzir judicialização e integrar iniciativas. O objetivo seria manter indicadores de pobreza sob controle sem ampliar gastos.
Sobre a BRB, Ceron afirmou não haver discussão de federalização no governo. Ele disse que a solução é responsabilidade do Distrito Federal e da instituição, diante da crise financeira enfrentada pela instituição.
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