- Em Pequim e Henan, donkies viraram quase luxo: preços subiram até cerca do dobro do boi, e alguns restaurantes substituíram o jorgo de donkeys por carne de cavalo nas sopas, com fachadas indicando “cavalo” ao lado de “jumento”.
- A oferta de jumento encolheu há décadas, com queda de cerca de 85% desde meados dos anos noventa, impulsionada pela mecanização agrícola e pela pouca aptidão de criar jumentos para carne.
- A maior parte da carne consumida na China hoje é importada, vindas principalmente do Uruguai, Brasil e Mongólia; houve também importação de jumentos vivos de Quirguistão.
- Houve casos de contrabando e adulteração: em 2024, uma gangue foi pega ao contrabandejar 13 toneladas de carne de jumento do Vietnã; denúncias de carne de cavalo colorida artificialmente para parecer jumento também já vieram a público.
- Falta de subsídios oficiais à criação de jumento e o custo de intervenção para ampliar a oferta indicam que, sem ação governamental, a carne de jumento tende a permanecer cara e de nicho, com tendência a se tornar produto de luxo.
Donkey meat, um prato típico do norte da China, vive momentos de tensão. Preços subiram até 50% em relação ao ano passado, chegando a quase o dobro do preço da carne bovina, segundo relatos locais em Henan. Restaurantes passaram a substituir carne de burro por cavalo em sopas, com algumas substituindo a sinalização de forma permanente.
Esses aumentos ocorrem após uma força-tarefa de segurança alimentar expor um fornecimento que encolhe há décadas. O abate de animais tem sido impulsionado pela mecanização das fazendas e pela baixa rentabilidade na criação de burros para carne, agravando a precariedade do rebanho.
A China enfrenta uma transição de economia agrícola para industrial, com impactos em mercados globais. A população de burros caiu cerca de 85% desde os anos 1990, e o setor depende cada vez mais de importações para atender a demanda interna, em especial por ejiao, o couro usado na medicina tradicional.
Panorama do abastecimento
Grande parte da carne de burro consumida hoje na China é importada. Países como Uruguai, Brasil e Mongólia aparecem como exportadores oficiais de cavalo e burro, com a maior parcela vindo da Mongólia. Também houve importação esporádica de burros vivos, principalmente do Quirguistão.
A circulação irregular persiste: em 2024, uma gangue de contrabando levou 13 toneladas de carne de burro da Víetnã para a China, descoberta após colisão de embarcação no Estreito de Taiwan. Esses desvios complicam a checagem de qualidade e segurança.
As autoridades chinesas lançaram operações para coibir fraude e falsificação, com secções de diversos estados relatando apreensões significativas de carne de burro falsa. Em algumas províncias, como Liaoning, Beijing, Henan e Jiangsu, houve balanços expressivos de incisos.
Perspectivas e perguntas
Especialistas apontam que a solução passaria por incentivos oficiais para manter rebanhos, competição com proteína bovina importada e maior transparência na cadeia de suprimento. Entretanto, há ceticismo sobre apoio público Maciço em nível nacional, temendo impactos de políticas agrícolas para o setor de carnes.
Enquanto isso, a corrida por preços mais estáveis continua, e o burro, antes símbolo de regionalismo, pode tornar-se produto de nicho de alto custo. A dinâmica interna chinesa, aliada a pressões externas, promete seguir influenciando mercados alimentícios globais.
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