- André Maxnuk, presidente regional da Mercer, afirma que a América Latina não conseguirá competir em IA apenas com mão de obra barata; é necessária maior produtividade e qualificação para evitar migração de operações.
- Ele defende parcerias público-privadas para desenvolver habilidades técnicas e ampliar a capacitação, visando elevar a produtividade e manter investimentos na região.
- Segundo Mercer, 98% dos executivos de alto nível prevêem reduções no quadro de funcionários devido à IA nos próximos dois anos, e apenas 15% das organizações mudam sua estratégia de longo prazo com esse potencial.
- Desigualdades sociais e lacunas na educação limitam a produtividade na América Latina; a CEPAL aponta que a produtividade por hora subiu 2,2% em 2024, mas o ritmo é menor que o global.
- O nearshoring segue como fator de atratividade, com México, Colômbia e Brasil desenvolvendo hubs tecnológicos; ainda há incertezas geopolíticas, mas investimentos na região permanecem, com ajustes táticos em curto prazo.
A América Latina não conseguirá competir na era da inteligência artificial apenas com mão de obra barata, segundo André Maxnuk, presidente regional da Mercer e CEO da Marsh McLennan no México. Em entrevista à Bloomberg Línea, ele ressaltou que o foco precisa estar na produtividade e na qualificação dos trabalhadores para manter a atratividade de investimentos.
Maxnuk afirmou que, por muito tempo, a região atraiu capital por custo de trabalho, não pela eficiência. Caso nenhuma mudança ocorra, operações poderão migrar para mercados mais produtivos, gerando demissões e afetando o emprego. O executivo defende parcerias público-privadas para desenvolver habilidades técnicas.
Ele apontou que a adoção da IA ainda é pontual para a maioria das empresas, com apenas uma parte buscando estratégias de longo prazo. A previsão é de maior reconfiguração empresarial, alinhando IA a visões de crescimento sustentável, ainda que a maioria siga evoluindo de forma incremental.
Desigualdades como entrave à produtividade
O tema das lacunas sociais foi destacado pelo executivo. Segundo Maxnuk, acesso desigual a educação, saúde e oportunidades limita a produtividade regional e sustenta uma das maiores desigualdades do mundo. O envelhecimento da população é visto como desafio futuro sem políticas estruturais.
Dados da CEPAL apontam que a produtividade por hora na região cresceu 2,2% em 2024, porém abaixo da média global. Enquanto grandes economias investem em desenvolvimento produtivo, a região destina menos recursos nesse campo, o que, segundo o representante, agrava a diferença de oportunidades.
Para superar o gargalo, Maxnuk afirma que políticas consistentes devem ampliar educação, saúde e desenvolvimento, tornando a região mais competitiva. Ele citou diferenças salariais elevadas entre executivos e trabalhadores como reflexo dessas desigualdades.
Dinâmica de investimentos e projeções
O executivo destacou avanços pontuais, como investimentos tecnológicos no México, com hubs em Guadalajara, e iniciativas no Brasil para ecossistemas tecnológicos. A Argentina também é citada como fonte de talento, mas ainda sem políticas estruturais amplas para produtividade.
Ele avaliou que fatores institucionais, segurança jurídica e previsibilidade são determinantes para atrair investimentos e elevar a produtividade. Em relação a cenários macro, a região continua sujeito a tensões geopolíticas e a uma reconfiguração global das cadeias de abastecimento.
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