- Receita líquida de juros do Nubank foi de US$ 2,8 bilhões no quarto trimestre, alta de 55% na comparação anual; margem líquida de juros ajustada ficou em 10,5%.
- Novo modelo de crédito com inteligência artificial, lançado inicialmente no Brasil, permite ampliar limites de crédito para determinados grupos de tomadores.
- Lucro líquido ajustado ficou em US$ 943 milhões, avanço de cerca de 55% frente ao mesmo período do ano anterior; inadimplência acima de 90 dias caiu para 6,6% em dezembro.
- Carteira de clientes fechou o trimestre em 131 milhões, com o Nubank sendo a maior empresa financeira privada do Brasil em número de clientes.
- A empresa manterá o apetite por crescimento no próximo ano e está em estágio inicial de criação de banco nos Estados Unidos; ações repercutiram com queda após o fechamento.
O Nubank informou resultados do quarto trimestre com criação de valor pela implementação de um modelo de crédito baseado em IA. A receita líquida de juros atingiu US$ 2,8 bilhões, alta de 55% frente ao mesmo período de 2023. A margem líquida de juros ajustada ficou em 10,5%, incremento de 0,6 ponto percentual.
Parte dessa expansão decorre da adoção de ferramentas de IA para avaliar o risco de crédito com maior precisão. O modelo foi lançado inicialmente no Brasil e permite elevar limites de crédito para determinados grupos de tomadores, segundo a fintech.
O CFO Guilherme Lago declarou, em entrevista à Bloomberg News, que houve o maior ganho de participação de mercado em cartões de crédito no Brasil nos últimos 10 trimestres. Ele ressaltou que alguns efeitos do aumento de limites ainda não se refletem totalmente nos números.
O lucro líquido ajustado ficou em US$ 943 milhões, alta de cerca de 55% em relação ao ano anterior, superando a previsão média de analistas consultados pela Bloomberg. A carteira manteve qualidade estável, com inadimplência acima de 90 dias em 6,6% em dezembro.
A desaceleração sazonal do quarto trimestre não alterou a leitura do Nubank sobre a carteira de crédito, que permanece ampla e estável, segundo Lago. O Brasil segue como operação principal e mais lucrativa da empresa.
O Nubank destacou ainda a possibilidade de ajustes na política de crédito de acordo com cenários macroeconômicos. O banco central do Brasil tem sinalizado um ciclo de afrouxamento monetário, o que pode favorecer o crédito no futuro.
No México, a instituição vê sinais de fraqueza de consumo e queda de investimentos, além da valorização do peso frente ao dólar. O banco central mexicano pode promover novos cortes de juros, com inflação abaixo da meta.
A companhia informou que manterá o ritmo de crescimento neste ano. Lago afirmou que, com os dados disponíveis, não há intenção de reduzir a velocidade de expansão de crédito.
Encerraram o trimestre com 131 milhões de clientes, perto da estimativa de analistas de 131,5 milhões. Em dezembro, a fintech tornou-se a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes, segundo dados do BC.
Além disso, o Nubank está em fases iniciais de criação de um banco nos Estados Unidos, após obter aprovação condicional de reguladores locais. O processo pode levar até dois anos, conforme o CFO.
As ações do Nubank caíram mais de 4% em Nova York após o fechamento, revertendo ganhos anteriores. Os papéis acumulam alta de 48% nos últimos 12 meses, mas recuam neste ano, em meio a temores ligados à IA.
O grupo permanece com a segunda instituição financeira listada mais valiosa da América Latina, atrás do Itaú Unibanco. A IA é vista pela empresa como uma oportunidade de resiliência ao crédito, apesar dos riscos de disrupção.
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