- A Hong Kong anunciará uma plataforma de ativos digitais na segunda metade deste ano para emissão e liquidação de bonds tokenizados, com infraestrutura desenvolvida pela CMU OmniClear Holdings da Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA).
- O objetivo é ligar a plataforma a hubs regionais de tokenização, conectando mercados asiáticos e ampliando a liquidez transfronteiriça.
- Licenças novas para stablecoins com lastro em fiat devem ser emitidas em março, para apoiar liquidação e explorar casos de uso comerciais.
- O projeto marca a passagem de fases-piloto para uma infraestrutura de mercado permanente, visando expandir além da dívida pública e atingir ativos digitais diversos.
- A interoperabilidade entre plataformas regionais é o ganho desejado, apesar de normas regulatórias distintas entre Cingapura e Japão, que ainda podem criar atritos.
A Hong Kong está integrando seu mercado de dívida na era blockchain, anunciando uma nova plataforma de ativos digitais no segundo semestre deste ano. A infraestrutura facilitará a emissão e a liquidação de títulos tokenizados, com a CMU OmniClear Holdings, vinculada à Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA), responsável pela construção. O projeto visa conectar-se a hubs regionais de tokenização.
A iniciativa marca a passagem de pilotos para uma arquitetura de mercado permanente, consolidando liquidez entre mercados asiáticos. Ao se conectar a plataformas externas, o objetivo é evitar o efeito de “ilha digital” que atingiu tentativas iniciais de tokenização.
Pontos-chave
- Lançamento da plataforma: a CMU OmniClear criará uma infraestrutura central para liquidar títulos tokenizados e, com o tempo, outros ativos digitais.
- Conectividade regional: o sistema deve ligar-se a plataformas de tokenização na região Asia-Pacífico, ampliando a liquidez transfronteiriça.
- Integração de stablecoins: licenças para stablecoins atreladas a fiat devem ser emitidas em março, apoiando liquidação e explorando usos comerciais.
Mudança de abordagem da HKMA
A plataforma representa a transição da HKMA de ambientes de teste para um ambiente de produção. Após o sucesso na emissão de bonds verdes de 10 bilhões de dólares no fim de 2025, o regulador busca reduzir atritos pós-negociação.
A infraestrutura não se restringe à dívida pública; ela foi projetada para escalar além de emissões soberanas, acompanhando o movimento de plataformas que tokenizam metais e commodities. A finalidade é atender ao público institucional envolvido em ativos do mundo real.
Ao consolidar liquidação no Central Moneymarkets Unit, Hong Kong oferece segurança jurídica às instituições. O sistema apoiará liquidar diversos ativos digitais, com expectativa de superar o terceiro lote de 1,28 bilhão de dólares em títulos tokenizados emitidos no trimestre anterior.
Demanda institucional e liquidez transfronteira
O projeto acompanha a demanda institucional por rendimentos on-chain e maior eficiência na liquidação. Analistas destacam que stablecoins associadas a ativos podem sustentar demanda relevante por títulos do Tesouro dos EUA tokenizados, e Hong Kong busca capturar fluxos parecidos para mercados de dívida asiáticos.
Os ganhos de eficiência são observáveis, e o potencial de receita para provedores de infraestrutura é relevante. Expectativas apontam que a receita institucional com stablecoins pode crescer conforme as camadas de liquidação amadurecem.
O secretário Chan informou que licenças de stablecoins atreladas a fiat começarão a ser emitidas em março, conforme anunciam reportes da HKMA. Inicialmente, deverão atender emissores com lastro robusto e controles anti-lavagem.
Yue indicou que revisões priorizam casos de uso com utilidade comercial real, prevendo apenas um número muito pequeno de licenças em março.
Desafios de interoperabilidade
O desafio tecnológico central é a interoperabilidade entre plataformas regionais, com padrões regulatórios distintos em Cingapura e Japão gerando atritos. Sem padrões unificados, a liquidez fica presa em setores domésticos, reduzindo a utilidade dos ativos tokenizados.
Observadores acompanham a implementação do Crypto-Asset Reporting Framework da OCDE, que Hong Kong avança junto com a construção da plataforma. Medidas de transparência fiscal são vistas como requisito para capital institucional.
Se a plataforma CMU OmniClear integrar com sistemas de liquidação da China continental e com o Project Guardian de Cingapura, Hong Kong poderá consolidar-se como a porta de entrada crypto-financeira da Ásia. Caso opere isoladamente, a demanda pode ficar aquém dos volumes pilotos. O mercado aguarda a primeira emissão comercial compatível na segunda metade de 2026 para confirmação.
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