- Inflação anual ficou em três vírgula oito por cento em janeiro, com o fim de subsídios elevando o custo da eletricidade em dezenove por cento no mês e as contas de energia ficando quase um terço mais caras do que há um ano.
- O índice de inflação subjacente, medido pelo Banco Central, chegou a três vírgula quatro por cento no ano até janeiro, frente três vírgula três por cento no mês anterior.
- O mercado espera alta da taxa de juros, com possibilidade de alta em maio e, mesmo, de uma segunda alta até o fim do ano; a probabilidade de maio fica em torno de noventa e cinco por cento, e de uma segunda alta em cerca de sessenta por cento.
- O fim dos subsídios de energia é apontado como principal motivo da pressão de preços, com aluguel subindo três vírgula nove por cento e serviços médicos avançando quatro vírgula dois por cento, no acumulado de doze meses até janeiro.
- Economistas destacam que cenário de demanda interna aquecida, baixo crescimento da produtividade e custos trabalhistas elevados sustentam a expectativa de mais altas antes do orçamento de maio.
O Reserve Bank of Australia (RBA) sinalizou novas altas da taxa de juros, possivelmente duas até o fim de 2026, conforme os dados de inflação não dão sinais de desaceleração. A inflação anual manteve 3,8% em janeiro, impulsionada pela queda de subsídios e pelo aumento de 19% nas tarifas de energia no mês.
A desaceleração dos subsídios federais e estaduais para energia explica grande parte do recuo do índice de inflação agregado nos últimos meses, mas a inflação subjacente ficou em 3,4% no ano até janeiro. O indicador preferido do banco central subiu de 3,3% para 3,4%.
O ministro das Finanças, Jim Chalmers, reconheceu, nesta semana, que a inflação está mais alta e por mais tempo do que o desejado, reforçando a importância do orçamento de maio para a política econômica. O governo pretende focar em inflação e produtividade.
Para analistas, a inflação continua elevada em áreas sensíveis ao orçamento familiar. ABS mostrou alta de 3,9% dos aluguéis e 4,2% em serviços médicos no ano até janeiro, além de custos de construção pressionados.
A inflação forte e a demanda interna sugerem que o aperto monetário pode voltar a aparecer. Stephen Smith, da Deloitte, disse que as pressões refletem políticas de subsídios energéticos desde 2023 e que reformas econômicas são urgentes.
O relógio de mercado sinaliza receio de novas altas. Jo Masters, da Barrenjoey, apontou sinais de inflação mais persistente e projetou alta em maio, com possível segundo aumento em agosto, elevando a taxa para 4,35%.
Mercado e previsões
- A probabilidade de alta em maio subiu para 95%, ante 84% antes do último dado da ABS, segundo a NAB.
- A chance de segundo aumento até o fim de 2026 passou de 40% para 60%, conforme o humor dos investidores.
O fundamentado cenário macro transforma o May budget como teste crucial para credenciais econômicas do governo. A combinação de crescimento moderado, inflação elevada e produtividade fraca compõe o retrato atual da economia australiana.
Impacto setorial e expectativas
- Custos de construção continuam em ascensão, com inflação do setor em 3,5% em relação ao mês anterior.
- Dúvidas sobre o ritmo de crescimento doméstico e a capacidade do governo de promover reformas permanecem centrais para o debate fiscal.
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