- A Ambev afirma ter superado um “teste de estresse” em 2025, mantendo foco na ambidestria: cuidar operações atuais e investir em inovações para crescer.
- O volume de cervejas no Brasil caiu 4,5%, com recuo nos rótulos core, mas houve expansão de 17% em marcas premium e de 30% em bebidas zero álcool.
- A receita líquida aumentou 4,0% e o EBITDA avançou 5,6%, com a margem EBITDA ajustada em 33,4%.
- A empresa atribui a queda de volume principalmente ao clima, que impactou bares e momentos de consumo, mas reforça que liderou em segmentos com crescimento.
- Para 2026, a gestão aposta em mais ocasiões de consumo durante a Copa do Mundo e na continuidade de lançamentos como Skol 0.0, Stella Pure Gold e outras inovações para ampliar participação de mercado.
A Ambev encara um ano desafiador na indústria de bebidas, mas aponta ganhos de eficiência e resultados de uma estratégia de ambidestria. A companhia mantém o foco em fortalecer pilares operacionais ao mesmo tempo em que investe em inovação para ampliar categorias com maior potencial de crescimento.
O desempenho recente mostra queda de volume no Brasil, com retração de 4,5% nas cervejas e quedas em marcas core como Skol e Brahma. Parte da demanda foi compensada pela expansão de 17% em marcas premium e 30% em produtos sem álcool, segundo o CFO Guilherme Fleury.
O executivo, em entrevista à Bloomberg Línea, afirmou que 2025 foi considerado um teste de estresse pela empresa, com clima mais ameno influenciando o desempenho. A Ambev reforçou a estratégia de priorizar o que controla para gerar valor a longo prazo.
Desempenho financeiro e mix de produtos
Apesar da queda de 3,3% no resultado orgânico, a receita líquida da Ambev avançou 4,0% em função do mix, da premiumização e da gestão de receitas. O EBITDA subiu 5,6%, elevando a margem EBITDA ajustada para 33,4%.
Segundo Fleury, a frequência de consumo, especialmente em bares, foi impactada pelo clima sem representar uma mudança de comportamento estrutural. A empresa decidiu manter investimentos em marcas e ações de conexão com consumidores.
Houve impacto no pagamento de bônus, que ficou mais baixo, porém os indicadores de engajamento dos funcionários atingiram patamar histórico, apontando alinhamento com os momentos de desafio.
Oportunidades e lançamentos no radar
O CFO destacou que a Ambev liderou em crescimento dentro do setor de cerveja, com expansão de segmentos premium e zero álcool no quarto trimestre impulsionando participação de mercado. O momentum deve continuar em 2026.
Entre os lançamentos, a companhia ressaltou a Skol 0.0, bebida sem álcool, com foco no core. Fleury ressaltou que existem oportunidades significativas para ampliar o mercado brasileiro de cervejas.
A Stella Pure Gold, introduzida em 2023 como a primeira cerveja sem glúten entre grandes cervejarias, teve aumento de 153% no volume em 2025, segundo o executivo. O portfólio também mira novas subcategorias.
Tendências de consumo e cenário macro
Três tendências norteiam as estratégias: bebidas fáceis de tomar em clima quente, opções com sabor acentuado como limão, e a demanda por health & wellness, com produtos sem álcool e com baixa caloria. Fleury afirma que há espaço para ampliar participação com inovações.
A Ambev aponta que o clima e a disponibilidade de feriados influenciam o volume, criando mais ocasiões de consumo relevantes para a Copa do Mundo de 2026. O lançamento de marcas e o aumento de ocasiões devem sustentar a demanda.
Perspectiva para 2026 e roadmap
A gestão enxerga continuidade de demanda em mercados emergentes e reforça a estratégia de investir em marcas e conectividade com consumidores. O CFO cita que o clima e eventos de grande porte podem impulsionar o crescimento neste ano.
Fleury lembra que o equilíbrio entre musculatura operacional e inovação de marcas é fundamental para sustentar resultados. A empresa busca ampliar a participação em novas subcategorias mantendo a eficiência.
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