- A economia da Ucrânia recuou cerca de trinta por cento no primeiro ano da guerra e permanece menor que antes do conflito, com forte dependência de gasto público.
- Indústrias como aço, mineração, cimento e alimentos reduziram a produção e enfrentam custos elevados devido a interrupções de energia.
- Em períodos de cortes de energia, a produção pode cair até cinquenta por cento, segundo executivos de empresas.
- A demanda de energia excedeu a oferta em janeiro e fevereiro, com pico de 16,4 gigawatts versus capacidade de 12,3 gigawatts e importação de quase 2 gigawatts.
- O Fundo Monetário Internacional pode aprovar um programa de 8,1 bilhões de dólares, enquanto a União Europeia negocia ajuda de cerca de 90 bilhões de euros; Hungria e Eslováquia ameaçam interromper exportação de energia se demandas não forem atendidas.
A economia da Ucrânia enfrenta o período mais difícil desde o início da invasão, após ataques aéreos persistentes deixarem o sistema de energia em ruínas. Empresas reduzem a produção e as receitas do governo despencam, com o país ainda lutando para manter o abastecimento elétrico.
Da indústria ao setor de construção, companhias relatam interrupções contínuas. A Kovalska Group afirma que geradores não cobrem a produção total de suas fábricas, com quedas de até 50% em momentos de racionamento. O relato é compartilhado por executivos de oito empresas.
O governo aponta perdas e fragilidades fiscais. Em fevereiro, o índice de atividade empresarial caiu pela primeira vez desde 2023. O país depende de gastos públicos para sustentar o esforço de guerra e o retorno de refugiados, após quedas acentuadas da população.
Efeitos na produção e nos custos
Oleksandr Myronenko, da Metinvest, diz que longos apagões dificultam reiniciar a produção após ataques. A Metinvest é grande geradora de impostos e de aço para o esforço de guerra, segundo ele.
O Ministério da Energia informou que, mesmo com temperaturas subindo, a demanda pico supera a capacidade de geração. A importação atingiu quase 2 gigawatts em horários de maior consumo, elevando custos para empresas.
Analistas observam inflação e pressão sobre a demanda. Economistas destacam que a economia deve enfrentar inflação em torno de 7% neste ano, com impactos em custos de produção e prazos de entrega.
Finanças públicas e ajuda externa
O banco central revisou para baixo a previsão de crescimento, para 1,8% neste ano. Projeções independentes variam entre 0,8% e 1,0% devido à continuidade de falhas no fornecimento de energia.
O país busca acordo com o FMI para um programa de 8,1 bilhões de dólares, enquanto negocia com a União Europeia por auxílio de cerca de 90 bilhões de euros em dois anos, sujeito a avanços políticos e econômicos.
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